Warner Bros. avalia possível venda após interesse de grandes empresas como Netflix e Paramount

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Warner Bros. Discovery Avalia Opções Estratégicas Após Interesse de Diversos Compradores

A Warner Bros. Discovery comunicou que iniciou a análise de diferentes cenários de negócios diante do interesse não solicitado de múltiplas partes para aquisição total ou parcial da empresa. O conselho da companhia avaliará uma ampla gama de opções estratégicas, incluindo a continuidade do plano de divisão da empresa até meados de 2026, venda integral do conglomerado ou operações separadas para as unidades Warner Bros. e Discovery Global.

Fontes indicam que empresas como Netflix e Comcast manifestaram interesse nos estúdios de cinema e TV da Warner Bros. A Paramount Skydance, por sua vez, teria feito pelo menos uma oferta para aquisição total, que foi rejeitada.

Em comunicado, o CEO David Zaslav afirmou que, diante do interesse de diversas partes, a empresa está conduzindo uma revisão abrangente para identificar a melhor forma de desbloquear o valor dos seus ativos. Após o anúncio, as ações da Warner Bros. subiram 9% na Bolsa de Nova York.

No início do ano, a companhia havia anunciado a intenção de dividir os negócios em duas unidades: uma focada em TV por assinatura e outra em streaming e estúdios. A separação visa distinguir o crescimento do serviço de streaming, que inclui a HBO Max, das redes de TV a cabo em declínio, como TNT e CNN.

A Warner Bros. e a HBO já passaram por duas vendas na última década, refletindo a dificuldade das empresas tradicionais de mídia em competir com plataformas digitais. A fusão entre Discovery e Warner Bros., liderada por Zaslav, tinha como objetivo criar um concorrente mais sólido para a Netflix, estratégia que até agora não alcançou o sucesso esperado. Uma eventual venda total ou parcial poderia provocar mudanças significativas em Hollywood e no setor de mídia, resultando em maior consolidação dos grandes estúdios e serviços de streaming.

A Paramount, controlada por David Ellison, demonstrou interesse, mas suas propostas abaixo de US$ 30 por ação foram rejeitadas. A empresa também avaliou a compra em parceria com a Apollo Global Management, detentora da Legendary Entertainment, que possui direitos sobre franquias da Warner Bros. Ellison busca concluir o negócio antes da possível divisão da empresa, enquanto Zaslav acredita que a divisão pode valorizar a unidade de streaming e estúdios.

Além da Paramount, analistas apontam que gigantes da tecnologia como Netflix e Apple também podem ser compradores potenciais. Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, teria interesse no catálogo de estúdios e produções da Warner, descartando contudo a aquisição das redes de TV. A Comcast, que controla a NBCUniversal, avalia a possibilidade, embora ainda não tenha apresentado proposta formal. A companhia tem reestruturado seu portfólio e planeja a venda de canais como MSNBC, USA e CNBC.

Samuel Di Piazza, presidente do conselho da Warner Bros. Discovery, reafirmou a crença de que a separação entre canais de TV e estúdios continuará sendo uma alternativa que agrega valor, mas a empresa decidiu expandir a análise de possibilidades no melhor interesse dos acionistas. Não há prazo definido para a conclusão desse processo.

Segundo o analista Ross Benes, da Emarketer, a Warner Bros., formada por meio de fusões e aquisições, pode repetir esse caminho para se valorizar. “As recentes fusões reduziram o valor para acionistas e geraram cortes de pessoal, mas as redes de TV, estúdios e serviços de streaming da empresa ainda possuem valor significativo para o comprador certo”, afirmou.

As instituições Allen & Co., JPMorgan Chase e Evercore atuam como assessores financeiros da Warner Bros. Discovery durante o processo.

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