Trump pode impulsionar crescimento temporário da energia renovável nos EUA
A administração de Donald Trump, apesar de reduzir incentivos fiscais e impor barreiras a projetos de energia limpa, desencadeou uma corrida acelerada para instalação de painéis solares, turbinas eólicas e sistemas de armazenamento em baterias nos Estados Unidos. Essa pressão ocorre devido ao prazo apertado para que esses empreendimentos se qualifiquem aos créditos fiscais federais que o Congresso decidiu encerrar prematuramente.
Analistas projetam que, até 2027, o país poderá registrar volumes recordes ou quase recordes na adição de capacidade renovável e baterias. A BloombergNEF ajustou recentemente para cima sua previsão em mais de 10% para o crescimento do setor no próximo ano. Empresas como CleanCapital já investem antecipadamente em equipamentos para garantir elegibilidade aos subsídios, alugando depósitos para estocar equipamentos comprados com meses de antecedência.
Apesar da previsão de crescimento consistente nos próximos dois anos, a secretária de Energia no governo Biden alertou que os avanços devem desacelerar posteriormente, a menos que haja mudanças nas políticas. O forte impulso atual reflete não só os subsídios, mas uma demanda crescente por fontes de energia renovável, que se destacam por custos menores e velocidade de instalação superior em relação a usinas a gás natural e nucleares.
Impactos a médio e longo prazo sobre a energia renovável
A estratégia da administração Trump para dificultar projetos renováveis também inclui a restrição na concessão de licenças federais, especialmente para empreendimentos eólicos offshore e instalações solares em áreas agrícolas. Segundo a Agência Internacional de Energia, as expectativas para a expansão solar e eólica foram reduzidas quase pela metade para os próximos cinco anos, com os efeitos mais sensíveis a partir de 2028.
Essa redução de incentivos já afeta pequenas empresas do setor, que enfrentam dificuldade para financiar projetos ou optam pela redução de quadros de funcionários. Investimentos em baterias que equilibram a oferta e demanda energética mostram-se prioridade para mitigar o impacto das restrições. Por outro lado, o desenvolvimento da energia eólica offshore enfrentou um retrocesso significativo, considerado por especialistas como uma “sentença de morte” para o segmento durante o governo atual.
Consequências nos preços e no mercado de energia
No médio prazo, a diminuição dos incentivos fiscais e as barreiras regulatórias podem resultar no aumento das tarifas de energia elétrica. A menor oferta de novas fontes renováveis deverá estender o uso das usinas a gás existentes e postergar a construção de alternativas, ampliando custos para consumidores.
Especialistas destacam que a expectativa de menor oferta energética combinada à alta demanda inevitavelmente pressionará os preços para cima nos próximos anos. Caso as atuais políticas não sofram alterações, o cenário poderá apresentar desafios à expansão sustentável e acessível do setor energético nos Estados Unidos.



