Trump classifica mudanças climáticas como “a maior farsa” e reforça apostas em energia fóssil dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira que as mudanças climáticas são “a maior farsa já perpetrada no mundo”, reafirmando seu ceticismo em relação às iniciativas ambientais globais. A fala ocorreu durante discurso na Assembleia Geral da ONU, enquanto o mundo se prepara para uma cúpula climática que busca fortalecer compromissos para a transição energética.
Trump critica ações ambientais e defende energia fóssil
Em um discurso de quase uma hora, Trump criticou duramente as políticas climáticas da União Europeia, afirmando que a redução da pegada de carbono afetou negativamente a economia europeia. Para ele, os países que investem pesadamente em energia renovável sofrerão impactos econômicos. “Na minha opinião, é a maior farsa já perpetrada no mundo. Todas essas previsões feitas pelas Nações Unidas e por muitos outros foram erradas e custaram fortunas, sem dar chance de sucesso aos países”, afirmou.
Desde que assumiu em janeiro, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, tratado internacional assinado por 195 países para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C. Com a saída dos EUA, o pacto passou a contar com apenas três países dissidentes: Iêmen, Irã e Líbia. A administração americana está apostando numa agenda focada em produção e exportação de petróleo, gás, carvão e energia nuclear, deixando de lado a energia renovável, apesar da competitividade dos custos dessa última.
Impacto no mercado e cenário futuro
A postura de Trump, ao priorizar combustíveis fósseis, contrasta com tendências globais que apontam para um aumento significativo nos investimentos em energia limpa. Segundo dados citados pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, US$ 2 trilhões foram investidos em energia renovável no último ano, valor US$ 800 bilhões superior ao aplicado em combustíveis fósseis, com crescimento de quase 70% na última década.
No mercado financeiro, declarações desse tipo influenciam percepções sobre o futuro das políticas ambientais e energéticas, afetando setores ligados a energia renovável, petróleo e gás. A continuidade ou reversão dessas políticas pode impactar negociações de commodities, bolsas de valores, além da dinâmica do dólar e índices de juros, especialmente em países com relevância na produção energética global.
À véspera da cúpula climática da ONU, o discurso de Trump reforça divergências entre grandes potências sobre as estratégias para enfrentar as mudanças climáticas, deixando incertezas quanto ao ritmo e abrangência das futuras ações multilaterais no combate ao aquecimento global.



