Um estudo recente, conduzido por pesquisadores de renomadas universidades brasileiras, UnB, UFMG e USP, propõe uma alternativa inovadora para o financiamento do transporte público: a substituição do vale-transporte pela tarifa zero universal. A proposta centraliza-se na criação de um fundo, alimentado por contribuições de empresas, visando viabilizar a gratuidade do serviço em cidades com mais de 50 mil habitantes.
O estudo estima que a maioria dos estabelecimentos, precisamente 81,5%, estaria isenta da contribuição. A pesquisa, financiada pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, apresenta um cálculo detalhado dos custos atuais do transporte público no Brasil, avaliados em cerca de R$ 65 bilhões anuais.
A proposta estima que a implementação da tarifa zero em 706 cidades custaria aproximadamente R$ 78 bilhões ao ano, beneficiando cerca de 124 milhões de pessoas. O modelo de financiamento proposto não dependeria de recursos do governo federal ou da criação de novos impostos.
A reformulação do modelo atual prevê que, em vez de pagar o vale-transporte diretamente ao trabalhador, as empresas contribuiriam para um fundo gerido pelo governo federal. A contribuição mensal estimada seria de cerca de R$ 255 por funcionário, gerando um montante anual de aproximadamente R$ 80 bilhões, suficiente para custear a tarifa zero nas cidades mencionadas.
Além do impacto econômico direto, o estudo aponta para benefícios sociais e de saúde pública. A gratuidade do transporte público incentivaria a migração de usuários do transporte individual para o coletivo, diminuindo os acidentes de trânsito. Um levantamento recente indica que acidentes com motos representam uma parcela significativa das internações e despesas hospitalares.
Os pesquisadores defendem a realização de um projeto piloto em regiões metropolitanas em 2026 para avaliar a viabilidade e o funcionamento prático da proposta.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



