ONU acusa Israel de genocídio em Gaza; governo israelense rejeita relatório
Uma comissão de inquérito das Nações Unidas concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza e que autoridades, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram tais atos. O governo israelense classificou as acusações como escandalosas e falsas.
O que aconteceu
O relatório da ONU, divulgado simultaneamente ao anúncio de uma operação terrestre israelense na Cidade de Gaza, aponta assassinatos em massa, bloqueios à ajuda humanitária, deslocamento forçado e a destruição de uma clínica de fertilidade como evidências do genocídio. A comissão, presidida pela ex-juíza do Tribunal Penal Internacional Navi Pillay, afirma que as autoridades israelenses estão por trás de uma campanha genocida com quase dois anos de duração, visando destruir o grupo palestino em Gaza.
Rejeição e críticas de Israel
O presidente israelense Isaac Herzog condenou as conclusões, alegando que o relatório distorceu suas declarações e ignora as atrocidades cometidas pelo Hamas. O embaixador de Israel na ONU em Genebra, Daniel Meron, qualificou o documento como “escandaloso” e “falso”, acusando a comissão de ter uma agenda política contra Israel. O país se recusou a cooperar com a comissão, alegando que seu mandato diverge da realidade dos fatos.
Impacto e contexto
O conflito entre Israel e Hamas, iniciado com o ataque do grupo em 7 de outubro de 2023 — que matou 1.200 pessoas e resultou em 251 reféns — evoluiu para uma guerra com mais de 64 mil mortos, segundo autoridades de Gaza. A situação humanitária no território é grave, com registros de fome em parte da população local. A acusação de genocídio, baseada na Convenção da ONU de 1948, implica em intenções de destruição completa ou parcial de grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos.
Análise e perspectivas futuras
Embora o relatório seja a posição mais contundente da ONU até agora, o órgão não endossa oficialmente o uso do termo genocídio, mas está sob crescente pressão para fazê-lo. A comissão espera que o secretário-geral António Guterres e o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, considerem os fatos apresentados para possíveis ações futuras. Israel enfrenta um processo de genocídio na Corte Internacional de Justiça, enquanto a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos que podem impactar não só a geopolítica, mas também mercados globais, diante do cenário de conflito prolongado e tensões regionais.



