Estados do Norte enfrentam impacto da sobretaxa dos EUA e buscam diversificação de exportações
A sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras vem revelando vulnerabilidades econômicas em estados da região Norte do Brasil, especialmente Amazonas e Amapá, que possuem alta dependência do mercado norte-americano. Essas unidades federativas precisam agora readequar seus fluxos de exportação para preservar suas cadeias produtivas.
Levantamento da ApexBrasil aponta que cerca de 10% das exportações do Amazonas e do Amapá têm os EUA como principal destino. No Amazonas, os produtos mais afetados incluem eletroeletrônicos e motocicletas, enquanto no Amapá essa dependência recai sobre frutas processadas e sorvetes, setores nos quais os compradores americanos são estratégicos.
Outros estados da região, como Acre, Rondônia, Pará e Tocantins, têm menor exposição relativa ao mercado estadunidense, variando entre 3% e 5%, mas exportam produtos igualmente sensíveis, como madeira e castanha-da-Amazônia.
Novos mercados e alternativas apontadas pela ApexBrasil
Diante do cenário, a ApexBrasil sugere a diversificação dos destinos das exportações, com oportunidades que abrangem América do Sul, Ásia, Europa e África. No Amazonas, destacam-se mercados como Paraguai, Argentina, França, Espanha, Itália e China, especialmente para autopeças, madeiras tropicais e castanha-da-Amazônia.
No Pará, os destinos mais promissores incluem Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Espanha, Guiné Equatorial e África do Sul, com potencial para produtos como ferro fundido, madeiras perfiladas e sucos.
O Amapá pode direcionar parte de sua produção para Austrália, Países Baixos, Japão e Emirados Árabes Unidos, focando em frutas processadas e sorvetes. Acre, Rondônia e Roraima também identificam mercados alternativos na União Europeia, Canadá, Austrália, Coreia do Sul, Malásia, Bélgica, Chile e África do Sul, ampliando a oferta para produtos como madeira, castanha-da-Amazônia, sebo bovino e fertilizantes.
Panorama nacional e medidas governamentais
No âmbito nacional, a ApexBrasil catalogou 195 produtos brasileiros impactados pela sobretaxa americana, com os EUA respondendo por US$ 40,4 bilhões em compras ao Brasil em 2024, equivalente a 12% do total exportado pelo país. A nova ordem executiva publicada em julho nos Estados Unidos representa uma ameaça concreta à competitividade de vários segmentos estratégicos.
Segundo Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, o órgão está realizando um mapeamento detalhado por estado para identificar cadeias produtivas vulneráveis e promover a inserção desses produtos em outros mercados, reduzindo riscos e ampliando a resiliência do comércio exterior brasileiro.
Essas ações fazem parte do Plano Brasil Soberano, uma estratégia do governo federal voltada para mitigar os impactos do aumento tarifário americano. O plano inclui apoio financeiro direto a empresas, estímulos a investimentos e medidas de proteção ao emprego em setores estratégicos.
Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, destaca que o estudo funciona como um guia prático para gestores públicos e empresários, proporcionando fundamentos para a tomada de decisões que visem a diversificação dos mercados e a redução da exposição em um contexto de instabilidade comercial global.



