Queda nas vendas de bares e restaurantes em setembro é causada pela crise do metanol; confira os dados

4 Min Read

Crise do Metanol Impacta Vendas em Bares e Restaurantes em Setembro, Aponta Índice Abrasel-Stone

As vendas do setor de bares e restaurantes registraram queda em setembro, reflexo da crise do metanol que se instaurou no fim do mês. Segundo o Índice Abrasel-Stone, divulgado mensalmente, o setor registrou uma redução de 4,9% nas vendas em comparação a agosto e 3,9% frente ao mesmo período de 2022. O dado representa uma reversão em relação ao desempenho positivo dos meses anteriores, com alta de 2,2% em agosto e 0,4% em julho.

De acordo com Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, a pressão nas vendas em setembro também foi influenciada pela antecipação das compras para o Dia dos Pais, além do impacto da alta inflação sobre a renda dos consumidores. A crise do metanol, que provocou intoxicações graves, inclusive mortes e casos de cegueira, contribuiu para a retração ao gerar receio entre os clientes.

O economista Guilherme Freitas, pesquisador da Stone, destaca que o cenário de setembro refletiu desafios maiores para o setor de alimentação fora do lar. Apesar do mercado de trabalho com taxas de desemprego baixas, a desaceleração na geração de postos formais e o elevado endividamento das famílias limitam o consumo, sobretudo de itens não essenciais, como refeições e bebidas externas. Além disso, a inflação do setor manteve-se pressionada, com alta acumulada de 8,24% nos últimos 12 meses, encarecendo o valor final pago pelos consumidores.

Inflação e desempenho regional

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) oficializou uma alta de 0,48% em setembro, após um período de deflação em agosto. A categoria “alimentação fora do domicílio” apresentou aumento de 0,11% no último mês.

Na análise regional, de 24 estados acompanhados, apenas Maranhão (2,6%) e Mato Grosso do Sul (1%) tiveram crescimento nas vendas do setor em setembro frente ao ano anterior. As maiores quedas foram registradas em Roraima (11,5%) e Pará (9,9%), seguidas por Rio de Janeiro e Santa Catarina (7,6%). Estados do Norte foram especialmente impactados pela alta dos custos de insumos e menor circulação de renda informal, além da desaceleração econômica local.

Resiliência em São Paulo

São Paulo, epicentro da crise do metanol, apresentou uma das menores retrações entre os estados, indicando resiliência do setor mesmo diante do cenário adverso. O mercado paulista, com maior diversidade e presença de estabelecimentos formais e delivery, diluiu o impacto concentrado em bebidas alcoólicas. Além disso, o agravamento da crise ocorreu no fim do mês, com maior impacto previsto para outubro.

Expectativas para Outubro

Especialistas afirmam que o reflexo total da crise do metanol sobre o setor deve ser observado no desempenho de outubro, sobretudo nas primeiras semanas, período de maior repercussão do caso. Contudo, o impacto tende a ser pontual e passageiro, devido às ações rápidas de fiscalização e controle que visam restaurar a confiança dos consumidores.

O principal desafio contínuo para o setor, entretanto, permanecerá associado ao cenário macroeconômico, marcado por renda limitada e custos elevados, que influenciam diretamente a capacidade de consumo dos brasileiros em bares e restaurantes.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *