EUA avaliam importação de carne argentina e geram críticas de produtores locais
O presidente Donald Trump sugeriu a possibilidade de aumentar as importações de carne bovina da Argentina para conter os preços elevados nos EUA. A medida causou reação contrária dos fazendeiros americanos, que enxergam ameaça ao setor e ao mercado interno.
Pressão sobre preço da carne e reação dos produtores
Trump afirmou que importar carne argentina poderia ajudar a reduzir os custos ao consumidor, citando a Argentina como um aliado estratégico. Em paralelo, seu governo concedeu à Argentina um swap cambial de US$ 20 bilhões. Produtores locais, no entanto, criticam a proposta, alegando que não resolve a alta dos preços nos supermercados e coloca em risco a sustentabilidade dos pecuaristas americanos, que já enfrentam dificuldades causadas pela seca e redução significativa do rebanho – o menor em quase 75 anos.
Impactos no mercado e desafios futuros
Dados indicam que a carne argentina representa apenas cerca de 2% das importações atuais dos EUA, o que limita o impacto da medida no mercado doméstico. Economistas alertam que as importações não devem reduzir os preços de forma significativa, podendo inclusive desestimular a ampliação do rebanho americano, que leva ao menos dois anos para se renovar.
Além disso, fatores como a suspensão das importações de gado mexicano devido a pragas e tarifas sobre produtos brasileiros já restringem a oferta interna, elevando os custos. O Departamento de Agricultura dos EUA informou que trabalha para apoiar os produtores locais, incentivando a expansão da produção nacional e garantindo mercados externos.
Perspectivas e desafios para o setor de carne nos EUA
Analistas destacam que a solução para conter os preços altos passa pelo fortalecimento da produção doméstica e não por ganhos pontuais via importações. O presidente da Federação Americana do Bureau Agrícola enfatizou o risco de comprometer a independência alimentar do país a longo prazo. A conjuntura atual expõe a necessidade de políticas que equilibrem ajuda aos produtores e oferta suficiente para atender à demanda, em um cenário de preços recordes para a carne bovina nos EUA.



