Prévia da inflação cresce menos que o esperado e indica “descompressão” nos serviços

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Inflação registra alta abaixo do esperado em setembro, mas pressão em alguns setores persiste

A prévia da inflação de setembro demonstrou avanço de 0,48%, número inferior à expectativa do mercado, que projetava 0,51%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação subiu de 4,95% para 5,32%. Especialistas indicam que, apesar de melhorias no cenário inflacionário, a desaceleração não é suficiente para que o Comitê de Política Monetária (Copom) faça cortes na taxa de juros ainda este ano.

Recuo nos núcleos de inflação e deflação em alimentação

Os núcleos de inflação seguem em queda, com o grupo de alimentação registrando deflação pelo quarto mês consecutivo. A média dos núcleos recuou de 0,32% em agosto para 0,19% em setembro, o menor patamar desde setembro de 2024. A inflação de serviços caiu de 0,5% para 0,12%, e a inflação de serviços subjacentes recuou para 0,04%, o índice mais baixo em quase um ano. A deflação em Alimentação e Bebidas e Transportes retirou 0,13 ponto percentual do índice geral, contribuindo para a moderação da alta.

Alta em habitação, vestuário e saúde impacta o índice

O grupo de Habitação apresentou alta de 3,31% em setembro, impulsionada principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 12,17% devido ao fim do bônus de Itaipu e à cobrança da bandeira tarifária vermelha patamar 2. Vestuário, Saúde e cuidados pessoais, e Despesas pessoais também registraram variações positivas. No vestuário, a alta foi puxada por roupas femininas e calçados, enquanto nos serviços de saúde o destaque foi o aumento dos planos de saúde.

Impacto do câmbio e custos de produção na inflação

Especialistas apontam que a recente apreciação do real, a estabilidade nos preços das commodities e a queda nos preços dos alimentos e custos de produção agrícola e industrial vêm contribuindo para o alívio da pressão inflacionária. Esse conjunto de fatores deve ajudar a inflação oficial a encerrar o ano abaixo de 5%.

Cautela na política monetária e expectativa para juros

Apesar dos sinais positivos na inflação, economistas ressaltam que o Copom deve manter a taxa Selic em patamar elevado, com postura cautelosa diante dos dados de atividade econômica e das expectativas de inflação ainda acima da meta. A maioria dos analistas prevê que a taxa Selic permaneça em torno de 15% até o final de 2025, com cortes somente a partir do primeiro trimestre de 2026, possivelmente em março.

O Banco Central aguarda evidências mais robustas da sustentabilidade da trajetória de queda da inflação para iniciar a flexibilização da política monetária. Entre os critérios para isso estão a ancoragem das expectativas de inflação, hiato do produto negativo e desaceleração consistente das medidas subjacentes da inflação.

Perspectivas e riscos

A continuidade da política monetária restritiva, combinada com a tendência de desaceleração dos preços, deve manter a inflação sob controle nos próximos meses. No entanto, a cautela predomina entre os economistas, que ressaltam a necessidade de acompanhar a evolução dos dados econômicos para evitar medidas prematuras que possam comprometer a credibilidade da política econômica.

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