Setor de biodiesel busca reinclusão em leilão elétrico; carvão enfrenta resistência
O setor de biodiesel pressiona pela reinclusão dessa fonte de energia no leilão do governo para contratação de potência elétrica, enquanto agentes do setor elétrico solicitam a exclusão do carvão ou mudanças em sua forma de contratação. O objetivo é favorecer fontes com operação mais flexível e menor impacto ambiental.
A Petrobras, maior geradora termelétrica do país, propôs que o carvão seja separado do leilão em disputa com usinas a gás natural, sendo eventualmente incluído com as usinas a óleo combustível. No entanto, as alterações enfrentam dificuldades devido ao prazo apertado, após atrasos que empurraram o certame para 2026. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou para a necessidade de a realização do leilão ser tempestiva para evitar riscos de cortes de geração e apagões.
O leilão, considerado o mais importante em estruturação pelo setor elétrico, busca contratar usinas mais flexíveis para auxiliar o ONS no manejo da intermitência das fontes solar e eólica. Na consulta pública encerrada em 12 de setembro, o setor de biocombustíveis foi o que mais solicitou a reinclusão do biodiesel e outras biomassas, argumentando que essas fontes são compatíveis com os objetivos de transição energética e aumentam a confiabilidade da operação elétrica.
O governo havia incluído os biocombustíveis em versão anterior do leilão, posteriormente cancelada, optando por não reinseri-los por dúvidas relacionadas à capacidade logística, custos e adaptação dos atuais geradores a diesel. Produtoras de biodiesel e entidades representativas contestaram esses questionamentos, citando casos nacionais e internacionais que comprovam o uso eficaz de 100% biodiesel em motores de grande porte. Investimentos foram interrompidos devido à incerteza do leilão.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) pediu que, caso o biodiesel seja excluído, outras biomassas como etanol e biogás possam participar.
Quanto ao carvão, sua inclusão inesperada no leilão foi criticada por não atender às necessidades de flexibilidade do ONS. A Petrobras considerou que usinas a carvão distorcem o objetivo do certame, que é atender a demanda de ponta com flexibilidade operacional. A estatal sugeriu que o carvão participe em um produto específico, junto às usinas a óleo combustível, separado das usinas a gás natural.
A associação do carvão (ABCS) propôs adiar o início do suprimento dos contratos para 1º de setembro de 2027, permitindo a participação de usinas estratégicas conectadas, como a Pecém I (CE), abastecida com combustível importado. Também levantou preocupação com os parâmetros do leilão para usinas com contratos de fornecimento mínimo de combustível, citando o caso da usina Candiota (RS), que alega inviabilidade econômica para participar do certame nas condições atuais.
Com predomínio de usinas a gás natural, a Petrobras confirmou que participará do leilão para recontratar usinas descontratadas, com capacidade total de 2,9 gigawatts.



