Preços elevados da carne bovina estimulam aumento nas vendas de alimentos enlatados nos EUA

5 Min Read

Hamburger Helper registra alta nas vendas em meio à inflação e alta nos preços da carne nos EUA

Nos Estados Unidos, o Hamburger Helper, mistura de massa temperada lançada nos anos 1970, voltou a ganhar destaque diante da pressão da inflação e dos altos preços da carne bovina. Em um cenário em que as famílias buscam esticar o orçamento, as vendas do produto registraram crescimento de 14,5% no ano até agosto, impulsionadas também por uma aparição da marca na série “O Urso” em junho, conforme dados da Eagle Foods, atual proprietária da marca.

O fenômeno não se restringe ao Hamburger Helper. Analistas apontam aumento nas vendas de alimentos tradicionais em períodos de dificuldades financeiras, como arroz (alta de 7,5% em 2025), conservas de atum, salmão, sardinha, além de feijão e macarrão com queijo. O movimento reflete a maior cautela do consumidor, que opta por itens essenciais ou com melhor custo-benefício diante do cenário econômico incerto e tarifas elevadas sobre produtos importados.

Sally Lyons Wyatt, consultora da empresa de pesquisa Circana, destaca que o aumento do custo de vida faz com que os consumidores busquem alimentos que tragam satisfação pelo menor custo possível. Nos supermercados, cresce a preferência por marcas próprias mais baratas, enquanto cadeias de fast food oferecem opções econômicas. Em contrapartida, as vendas de doces e sobremesas, como sorvetes e biscoitos, registraram queda.

Apesar da desaceleração da inflação desde 2022, o preço dos alimentos consumidos em casa permanece 21% acima dos níveis de quatro anos atrás. Em agosto, aumentos significativos foram observados em carnes, café e diversas frutas e verduras, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS).

Especialmente pressionados estão os custos da carne bovina devido a uma escassez histórica do rebanho nos EUA, que elevou o preço da carne moída em 13% no último ano, atingindo US$ 6,63 por libra em agosto. O volume de bovinos para abate está no menor nível desde os anos 1950, mantendo a demanda estável e elevando os preços.

O Hamburger Helper, embora popular para esticar o orçamento, enfrenta desafios para se alinhar às tendências atuais de alimentação mais natural e saudável. A versão Cheeseburger Macaroni contém corantes artificiais e uma porção equivale a 27% do consumo diário recomendado de sódio. Bernard Kreilmann, CEO da Eagle Foods, afirma que a empresa busca substituir ingredientes artificiais e adaptar o produto às preferências dos consumidores.

Lançado em 1971 pela General Mills, o Hamburger Helper rapidamente se tornou um marco na culinária doméstica americana, com um quarto dos lares adquirindo o produto em seu primeiro ano. Ao longo das décadas, a marca ampliou seu portfólio para até 50 sabores, incluindo variações como Tuna Helper e Cheeseburger Macaroni, e consolidou-se na cultura popular, sendo referência em tempos de crise econômica.

A Eagle Foods adquiriu a marca em 2022 e vem implementando estratégias para modernizá-la, como reduzir o tempo de preparo para 20 minutos, ajustar a textura da massa e lançar novas versões, incluindo opções picantes e para o café da manhã. Além disso, a empresa mantém os preços estáveis desde a compra, com caixas custando em média US$ 2, permitindo que uma família seja alimentada com cerca de US$ 10, considerando uma libra de carne moída.

O recente destaque do Hamburger Helper em um episódio da série “O Urso” gerou repercussão nas redes sociais, tendo um impacto inesperado nas vendas, sem que tenha sido uma ação publicitária planejada pela empresa.

O retorno do Hamburger Helper ao cenário alimentar americano demonstra como produtos tradicionais podem ganhar nova relevância diante de mudanças econômicas e de comportamento do consumidor, equilibrando praticidade, custo e adaptação às exigências do mercado atual.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *