Tarifa de 50% sobre café dos EUA para o Brasil impulsiona reação política e pressiona mercado
Dados recentes revelam alta de 21% nos preços do café nos EUA em 12 meses até agosto, puxada pelas tarifas impostas pelo governo Trump. Diversos políticos americanos articulam medidas para reverter o aumento, enquanto o setor de varejo já sente o impacto dos custos elevados.
Alta do preço do café e reação política
A inflação do café nos Estados Unidos avançou 21% em 12 meses até agosto, com um aumento mensal de 6,4%, superando a inflação geral de alimentos de 3,2%. A escalada nos preços está diretamente ligada à sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump sobre produtos brasileiros, principal fornecedor americano de café.
Em resposta, líderes bipartidários no Senado e na Câmara dos Deputados propuseram legislação para revogar essas tarifas. A iniciativa busca restaurar a tarifa zero anterior à administração Trump, eliminando os encargos adicionais sobre o café importado do Brasil e outros países com relações comerciais normais. O projeto enfatiza que novas tarifas não poderão ultrapassar os níveis vigentes em janeiro de 2025.
Impactos no mercado e no consumidor
Os Estados Unidos são o maior importador global de café, com cerca de 66% da população adulta consumindo a bebida diariamente, segundo pesquisa recente. Os custos elevados pressionam desde consumidores até varejistas e grandes cadeias de cafeterias.
A rede Starbucks, apesar de ainda conseguir mitigar o repasse imediato dos aumentos devido a estratégias de compra e hedge, já prevê que os custos tarifários e do café verde terão impacto máximo até o primeiro semestre do exercício fiscal de 2026. Empresas como Keurig Dr Pepper e JM Smucker também iniciaram ajustes de preços.
Pequenos varejistas enfrentam desafios mais imediatos: a Corvo Coffee, por exemplo, precisou elevar o preço da xícara de espresso em 50%, de US$ 2,50 para US$ 3,75 só em setembro, evidenciando o efeito direto das tarifas sobre o consumidor final.
Análise e perspectivas futuras
A proposta legislativa conta com apoio expressivo diante do reconhecimento de que as tarifas atuam como um imposto extra sobre o consumidor americano, sem contribuir para geração de empregos ou realocação produtiva.
Além do viés econômico, a medida de Trump enfrenta críticas também na esfera constitucional, com senadores destacando que a política tarifária é prerrogativa do Congresso, não do Executivo, questionando o uso da lei IEEPA para implementar as sobretaxas.
O desdobramento dessa mobilização bipartidária pode antecipar um debate ampliado sobre o papel do Congresso na política comercial americana, além de aliviar pressões inflacionárias num momento sensível para o consumidor e o mercado.
Em suma, a revogação das tarifas pode representar uma redução significativa nos custos do café nos EUA, com impactos diretos no mercado de alimentos, consumidores e na relação comercial com o Brasil, maior exportador global da commodity.



