Peru destitui presidente Dina Boluarte em meio a crise de violência e corrupção
O Congresso do Peru aprovou por unanimidade a destituição da presidente Dina Boluarte, encerrando um governo marcado por protestos, investigações e alta rejeição popular. José Jerí, chefe do Congresso, assumiu o comando do país com promessa de combater o crime e promover reconciliação até as eleições de 2026.
Destituição da presidente Dina Boluarte
Na madrugada de sexta-feira (10), o Congresso peruano aprovou, por 118 votos a favor, a destituição da presidente Dina Boluarte por “incapacidade moral permanente” para enfrentar a crise de violência e corrupção no país. Boluarte recusou-se a comparecer à sessão, classificando o processo como “inconstitucional”. Segundo a pesquisa Datum Internacional, sua rejeição atingia 93%, e ela respondia a investigações por corrupção e enriquecimento ilícito.
Impactos no cenário político e econômico
A saída de Boluarte reforça o histórico de instabilidade do Peru, que teve seis presidentes em sete anos, todos afastados ou presos. Em meio à crise, José Jerí assumiu a Presidência prometendo endurecer o combate às quadrilhas criminosas e tentar restaurar a credibilidade das instituições até as próximas eleições previstas para abril de 2026.
O país enfrenta um aumento substancial da violência urbana, com gangues controlando atividades ilícitas, como extorsões em eventos culturais. O ataque a tiros contra a banda Agua Marina, em Lima, que feriu quatro músicos, gerou forte comoção nacional e aumentou a pressão sobre o governo anterior, acusado de negligência.
No mercado, o clima de instabilidade política pode influenciar volatilidade na bolsa local e impacto no câmbio, dado o risco político elevado. A continuidade das tensões tende também a pressionar a percepção de risco do país entre investidores, afetando juros e investimentos estrangeiros.
Análise e perspectivas futuras
A destituição de Boluarte marca a continuidade de um ciclo de crise que dificulta a estabilidade política e econômica do Peru. O novo presidente enfrenta o desafio de estabilizar um ambiente fragmentado politicamente, com o Congresso dominado por grupos conservadores e fujimoristas.
Mesmo com o discurso firme de combate ao crime organizado, a instabilidade institucional pode persistir, mantendo o país entre os mais voláteis da América Latina, o que exige atenção redobrada dos investidores diante dos riscos políticos e sociais em curso.



