Mercado Imobiliário de Médio Padrão Mostra Resiliência em 2025 Apesar de Juros Altos
O segmento imobiliário de médio padrão, voltado para famílias com renda mensal entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, tem apresentado resistência ao longo de 2025, mesmo diante de desafios como juros elevados, crédito restrito e custo maior do funding. A recente política habitacional anunciada pelo governo federal busca amenizar estes desafios, mas especialistas indicam que as medidas não serão suficientes para uma recuperação plena.
Anunciado em 10 de junho, o programa do governo prevê ajustes no direcionamento dos recursos da poupança, elevação do teto dos financiamentos no Sistema Financeiro de Habitação (SFH) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, e o retorno do financiamento pela Caixa Econômica Federal de até 80% do valor do imóvel. Essas medidas visam facilitar o acesso ao crédito para a classe média.
O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, avalia que a melhora gradual da economia e a nova política de crédito podem contribuir para o segmento médio padrão. “O crédito imobiliário tem papel crucial para o desenvolvimento do segmento. É fundamental manter um modelo que assegure estabilidade e juros acessíveis”, afirmou. França destacou que a fixação do teto dos juros do financiamento em 12%, abaixo dos atuais 13%, pode ampliar a demanda, incluindo mais 160 mil famílias para cada ponto percentual reduzido nos juros.
Apesar disso, analistas ressaltam que o impacto será limitado devido ao custo elevado do crédito. A Selic, taxa básica de juros que influencia o crédito imobiliário, está em 15% atualmente e a expectativa é que caia para 12,25% somente em 2026, um nível ainda considerado alto para o setor.
Pedro Arsenian, gerente de Real Estate na SOLD Leilões, observa que a dependência de financiamento distingue a classe média das faixas mais altas. “Público de alta renda costuma comprar à vista ou com entradas elevadas. A classe média alta depende fortemente do crédito, especialmente para imóveis entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão, tornando as parcelas sensíveis à Selic. Uma nova linha de crédito é bem-vinda, mas os desafios persistem”, afirmou.
Ygor Altero, head do setor imobiliário do Research da XP, reforça que o segmento de média renda seguirá enfrentando dificuldades. “A taxa de juros está elevada e o funding insuficiente. A iniciativa do governo é positiva, mas o impacto será mais de preservação do que de transformação do mercado”, avaliou.
Demanda por imóveis médios cai, mas mercado de luxo se mantém aquecido
Embora não existam relatórios específicos para imóveis de médio padrão, dados regionais indicam uma queda na demanda. Segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP, as vendas sobre oferta (VSO) para imóveis entre R$ 700 mil e R$ 1,4 milhão caíram de 9,4% em agosto de 2024 para 7,4% em agosto de 2025. Para imóveis entre R$ 1,4 milhão e R$ 2,1 milhões, a queda foi de 6% para 4,9%. Já outras faixas de preço, como imóveis até R$ 264 mil, mantiveram VSO superiores a 10%.
No segmento de alto padrão e luxo, a situação é distinta. Compradores desse mercado têm menos dependência de financiamento e compram geralmente à vista. Claudio Carvalho, CEO da incorporadora AW Realty, afirma que o mercado de luxo está em ritmo firme e otimista. A empresa movimentou R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas em 2025 e projeta aumento de 15% para 2026.
“Projetos exclusivos e bem localizados continuam vendendo, mesmo com juros altos. Esse comprador decide pela localização e desejo, não apenas por cálculo financeiro”, conclui Altero, da XP.
Em resumo, o mercado imobiliário de médio padrão enfrenta limitações estruturais e elevada pressão de juros, enquanto o segmento de luxo mantém desempenho robusto, ressaltando as diferentes dinâmicas entre as classes sociais no setor imobiliário brasileiro.



