Organizações demonstram maior preocupação com saúde mental, mas implementar ações continua sendo um desafio

4 Min Read

Índice de preocupação com saúde mental no trabalho cresce 62% em 2025, aponta Anuário

O índice geral de preocupação com o bem-estar dos trabalhadores no Brasil registrou um aumento expressivo, passando de 5,06 em 2024 para 8,19 em 2025, um crescimento de 62%, segundo o Anuário Saúde Mental nas Empresas 2025, divulgado pelo Instituto Philos Org. Em 2023, o índice havia sido de 5,40. Apesar do avanço, o indicador ainda está distante do máximo possível, que é 16.

O estudo, que está em sua terceira edição, baseia-se nas iniciativas declaradas pelas empresas em seus Relatos Integrados e Relatórios de Sustentabilidade. Embora o índice geral tenha aumentado, o relatório destaca uma disparidade significativa entre o que as empresas informam e a experiência real dos trabalhadores, sem apresentar dados individualizados de afastamentos por empresa. Setores específicos mostram essa incoerência ao combinar elevados investimentos com altos índices de afastamentos públicos.

Segundo Carlos Assis, editor do Anuário e fundador do Instituto Philos Org, é essencial que as lideranças empresariais encarem a saúde mental como um investimento, não um custo. Ele enfatiza a necessidade de ouvir verdadeiramente os colaboradores e agir conforme as informações coletadas, enfrentando os desafios subjetivos da área.

Pressões regulatórias impulsionam avanço no índice

O crescimento do índice não ocorreu de forma espontânea, mas foi motivado por pressões regulatórias recentes. Políticas públicas que estabeleceram regras claras para a promoção da saúde mental e a divulgação de dados de afastamentos por transtornos psíquicos pelo Ministério da Previdência estimularam as empresas a adotarem posturas mais consistentes. O documento alerta que o avanço do indicador é também uma resposta a um cenário onde os riscos da omissão empresarial se tornaram mais evidentes.

Ranking geral das empresas com maior preocupação

No ranking das empresas mais preocupadas com o bem-estar dos trabalhadores, Itaú lidera com índice de 15,29, seguido por Lojas Renner (15,14), Banco do Brasil (14,29), RD Saúde (13,9) e Bradesco (13,33).

Destaques setoriais

– Financeiro: mantém liderança entre setores, embora o índice tenha recuado de 11,34 para 11,03. Itaú, Banco do Brasil e Bradesco lideram as avaliações.
– Comércio: sobe da terceira para a segunda posição, com índice de 8,51. Destaque para Lojas Renner, RD Saúde e Drogarias DPSP.
– Serviços, Transportes e Logística: avança do sexto para o terceiro lugar, atingindo índice de 8,0. Grupo Dasa e Rede D’Or são os principais destaques.
– Energia e Recursos Naturais: apesar do maior número de empresas avaliadas, o índice cresceu de 3,44 para 7,97. Grupo Enel, CPFL e Petrobras lideram.
– Indústria: índice subiu de 4,98 para 7,43, com Gerdau, Volkswagen e Renault em destaque.
– Tecnologia, Telecom e Comunicação: apresenta queda de 8,81 para 7,12; Telefônica Brasil é o melhor avaliado.
– Alimentos e Bebidas: desempenho ainda frágil, com índice de 5,88. Ambev lidera o setor.
– Agronegócio: pior desempenho, com índice geral de 4,02; Lar Cooperativa Agroindustrial tem a melhor nota setorial.

Análise da evolução setorial nos últimos três anos mostra que setores como Serviços, Transportes e Logística e Energia tiveram avanços significativos, enquanto Tecnologia e Financeiro registraram ligeiras quedas.

O relatório ressalta que, apesar dos progressos, o desafio de alinhar as práticas empresariais à experiência real dos trabalhadores permanece, evidenciando a necessidade de ações efetivas e corajosas das lideranças para promover a saúde mental no ambiente corporativo.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *