OCDE aumenta projeção de crescimento econômico mundial, mas destaca preocupação com tarifas dos EUA.

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OCDE Atualiza Perspectivas e Destaca Impactos das Tarifas dos EUA na Economia Global

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira seu Relatório Interino de Perspectivas Econômicas, apontando que o crescimento global mantém-se mais robusto do que o esperado. No entanto, o impacto total das tarifas de importação elevadas pelos Estados Unidos ainda não foi completamente sentido. Atualmente, o avanço nos investimentos em inteligência artificial (IA) sustenta a atividade econômica americana, enquanto estímulos fiscais ajudam a mitigar a desaceleração na China.

Segundo a OCDE, as empresas americanas têm absorvido grande parte dos choques tarifários por meio da redução de margens de lucro e do estoque elevado de produtos acumulados antes dos aumentos, que elevaram a taxa média sobre importações para 19,5%, o nível mais alto desde 1933, durante a Grande Depressão. O diretor da OCDE, Mathias Cormann, destacou que os efeitos completos das tarifas serão mais evidentes à medida que os estoques forem reduzidos e novas taxas forem aplicadas.

Previsões Atualizadas para 2025 e 2026

O crescimento econômico global deve desacelerar levemente, passando de 3,3% em 2024 para 3,2% em 2025, revisando para cima a previsão anterior de 2,9%. Para 2026, a expectativa permanece em 2,9%, apesar do efeito temporário do impulso dado pela formação de estoques e da pressão das tarifas sobre investimento e comércio.

Cormann alertou para o risco de crescimento reduzido caso haja acréscimos nas barreiras comerciais ou prolongamento da incerteza, o que poderia elevar custos e afetar consumo e investimentos.

Nos Estados Unidos, o crescimento projetado para 2025 subiu para 1,8%, comparado a 1,6% previsto em junho, após aumento de 2,8% em 2024. Para 2026, a estimativa permanece em 1,5%. O relatório atribui essa performance à expansão dos investimentos em IA, ao apoio fiscal e à política monetária mais acomodatícia do Federal Reserve, que têm compensado os efeitos negativos das tarifas, da menor imigração e dos cortes no quadro federal.

Na China, o crescimento deve desacelerar no segundo semestre conforme os efeitos do apoio fiscal e o movimento para antecipar exportações perdem força. A previsão para 2024 foi elevada para 4,9%, ante 4,7%, enquanto para 2026 o crescimento esperado é de 4,4%, revisado de 4,3%.

Zona do Euro: Crescimento Moderado em Meio a Desafios

A economia da zona do euro enfrentará pressões das tensões comerciais e geopolíticas, que devem contrabalançar os benefícios das taxas de juros mais baixas. A OCDE aumentou a projeção de crescimento para 2024 a 1,2%, ante 1,0% anterior, enquanto para 2026 a expectativa caiu para 1,0% (de 1,2%). O impulso vem do aumento dos gastos públicos na Alemanha, enquanto medidas fiscais mais restritivas na França e na Itália limitam a expansão.

Brasil: Revisão Positiva nas Projeções

Para o Brasil, a OCDE estimou crescimento de 2,3% em 2024, ante 2,1% previstos em junho, e 1,7% para 2026, revisado em relação a 1,6%.

Política Monetária Deve Manter Flexibilidade

Com a desaceleração do crescimento global, a OCDE projeta que os principais bancos centrais manterão políticas monetárias frouxas ou promoverão cortes nos custos de empréstimos, contanto que as pressões inflacionárias sigam em queda. No caso dos Estados Unidos, o Federal Reserve deve reduzir ainda mais as taxas de juros conforme o mercado de trabalho enfraquece, a menos que as tarifas elevadas causem aumento generalizado da inflação.

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