ABC enfrenta bloqueio de afiliadas Nexstar em meio a polêmica com Jimmy Kimmel
O retorno do programa “Jimmy Kimmel Live!” na última terça-feira (23) reacendeu uma disputa entre grandes redes de mídia americanas — ABC, NBC e CBS —, o governo dos Estados Unidos e o órgão regulador FCC (Federal Communications Commission). A Nexstar, empresa controladora de diversas afiliadas da ABC, optou por não transmitir o programa e substituir a faixa por jornalismo, decisão seguida por algumas afiliadas da Sinclair.
O motivo central são declarações de Jimmy Kimmel a respeito do assassinato do ativista Charlie Kirk, aliado de Donald Trump, ocorrida em setembro. Kimmel criticou o movimento MAGA (Make America Great Again), afirmando que seus integrantes tentam politizar o crime. A postura gerou reação da Nexstar antes mesmo do anúncio temporário de cancelamento pela Disney, controladora da ABC.
Além da reação das emissoras, o presidente do FCC, Brendan Carr, aliado de Trump, declarou em podcast conservador que empresas como a Disney possuem meios para agir contra o caso, sob a possibilidade de “trabalho adicional da FCC no futuro”. A fala foi interpretada por críticos como uma ameaça e ocorre em meio à análise pelo órgão da aquisição da Tegna pela Nexstar, que criaria um conglomerado com alcance superior a 90% dos lares americanos.
FCC intensifica investigações contra grandes redes de mídia sob influência política
Desde a posse de Carr, o FCC vem ampliando investigações contra emissoras criticadas pelo governo Trump. Em março, Carr abriu apuração contra Disney e ABC por suposta promoção de políticas de diversidade, igualdade e inclusão (DEI), classificadas como “formas odiosas de discriminação”. O presidente destacou decisão de Trump para eliminar esses programas no governo federal.
Outras emissoras como Comcast/NBCUniversal também estão sob mira do FCC por questões relacionadas a DEI. A Comcast anunciou reestruturação da divisão de TV a cabo da NBCUniversal em novembro de 2024 e negocia temas delicados envolvendo a MSNBC, canal frequentemente crítico ao ex-presidente Trump. Analistas especulam sobre possíveis interferências de Trump na aprovação dessas operações.
Nas redes sociais, Trump classificou ABC e NBC como “fake news” e defendeu a revogação das licenças das emissoras pelo FCC, acusando-as de parcialidade e de atuar como braços do Partido Democrata.
CBS também enfrenta controvérsias e acordos judiciais
A CBS foi alvo de investigações após queixas sobre distorção de notícias, especialmente relacionada a entrevista da vice-presidente Kamala Harris no programa “60 Minutes”. Trump processou a Paramount, controladora da CBS, alegando edição enganosa na entrevista, e o caso foi encerrado por acordo de US$ 16 milhões em julho.
Esse movimento ocorreu durante a análise da aquisição da Skydance pela Paramount, avaliada em US$ 8 bilhões, que inclui concessões como a criação de um Ombudsman para revisar reclamações sobre viés na CBS News e a promessa de não implementar programas DEI.
Paralelamente, a CBS cancelou o programa “The Late Show With Stephen Colbert” em junho, justificando corte de gastos, mesmo sendo líder de audiência no horário. A decisão gerou críticas e está inserida no contexto das negociações regulatórias e pressões políticas sobre as grandes redes de mídia americanas.



