O mercado de trabalho avança rumo a uma estabilidade gradual, afirma economista do FGV/Ibre.

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Mercado de Trabalho Apresenta Desaceleração na Criação de Vagas, Segundo PNAD

O mercado de trabalho brasileiro registra uma desaceleração gradual, porém consistente, na geração de novos empregos, conforme indicam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O economista Daniel Duque, pesquisador associado do FGV/Ibre, atribui esse movimento ao elevado custo do crédito, à queda na produção de setores industriais afetados pelo aumento das tarifas e à redução dos gastos públicos.

Duque explica que, embora o cenário permaneça positivo, a expansão da população ocupada formal está perdendo ritmo, refletindo dados referentes aos meses de maio, junho e julho. “O mercado de trabalho ainda apresenta crescimento, mas tende à maior estabilidade, aproximando-se de um ponto de neutralidade”, afirmou.

Taxa de Desemprego Atinge Menor Nível da Série Histórica

De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação caiu para 5,6% no trimestre encerrado em julho, o menor índice desde o início da série histórica em 2012. No período anterior, a taxa era de 6,6%, e no mesmo trimestre do ano passado, 6,9%. A população ocupada alcançou o recorde de 102,4 milhões de pessoas, enquanto o rendimento real habitual chegou a R$ 3.484, também um recorde, com crescimento de 1,3% no trimestre e 3,8% em relação ao ano anterior.

O número de trabalhadores por conta própria atingiu 25,9 milhões, recorde histórico, enquanto a taxa de informalidade manteve-se estável em 37,8%. A população subutilizada por insuficiência de horas trabalhas permaneceu em 4,6 milhões.

Impacto das Políticas Econômicas e Cenário da Inflação

Apesar do desempenho positivo do mercado de trabalho, Duque destaca que os dados ainda não indicam uma reversão na política monetária do Banco Central, que deve manter a taxa Selic em 15%. O aperto dos juros busca conter a inflação, enquanto o ambiente fiscal, marcado por aumento de transferências, obras públicas e crédito, tem pressionado a economia para cima.

“O cenário atual mostra que o esforço do governo para reduzir gastos, aliado ao impacto das tarifas sobre algumas indústrias, está contribuindo para que a economia caminhe para uma trajetória mais favorável em termos inflacionários”, observou o economista.

População Fora da Força de Trabalho Permanece Estável

A população fora da força de trabalho totalizou 65,6 milhões no período avaliado, sem variação significativa. Segundo Duque, essa estabilidade indica que esse grupo ainda não retornou ao mercado de trabalho mesmo após a pandemia, o que representa um desafio para a recuperação plena da economia.

“O risco é que essas pessoas tenham saído permanentemente da força de trabalho, o que comprometeria a capacidade produtiva do país”, alertou.

Em resumo, o mercado de trabalho brasileiro demonstra sinais de desaceleração no ritmo de criação de empregos, com dados recordes de ocupação e renda, mas desafios persistem, especialmente no que diz respeito ao retorno da população fora da força de trabalho e ao equilíbrio entre políticas fiscal e monetária.

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