Novo Nordisk promove ampla reformulação após desacordo no conselho
O presidente da Novo Nordisk, Helge Lund, anunciou sua saída em meio a uma disputa com o conselho de administração sobre o ritmo das mudanças na empresa. Ele será substituído por Lars Rebien Sorensen, ex-CEO da farmacêutica e atual líder do maior acionista da companhia, a Fundação Novo Nordisk.
A troca ocorre em meio a uma reformulação significativa no conselho, que terá mais da metade de seus membros renovados. A medida acontece logo após a substituição do CEO da Novo Nordisk, provocada pela queda nas ações após a empresa perder terreno no mercado dos Estados Unidos para a rival americana Eli Lilly & Co.
O impasse entre o conselho e a Fundação Novo Nordisk, segundo Lund, foi motivado por divergências sobre a extensão e a velocidade das mudanças necessárias. “Não foi possível chegar a um entendimento comum”, declarou Lund, que está deixando o cargo junto com outros diretores.
A Fundação, que detém o maior controle acionário da companhia, defende mudanças rápidas e abrangentes, alinhadas à estratégia do novo CEO, Maziar Mike Doustdar. Doustdar assumiu em agosto e busca implantar uma cultura de desempenho para recuperar a competitividade no mercado norte-americano, o principal para a empresa.
Sorensen afirmou que o conselho foi lento para reconhecer a importância das transformações no mercado dos EUA e para promover as adequações necessárias à estrutura da empresa. “Basicamente, discordamos sobre velocidade e alcance”, explicou em teleconferência com analistas.
A Novo Nordisk, pioneira na nova classe de medicamentos para perda de peso, como Wegovy e Ozempic, perdeu participação para a Eli Lilly após enfrentar problemas de produção nos Estados Unidos e aumento da concorrência com versões genéricas, afetando suas vendas. Para ajustar a estrutura, Doustdar planeja cortar 11% da força de trabalho.
A turbulência corporativa marca uma ruptura na estabilidade histórica da empresa, que chegou a ser a mais valiosa da Europa impulsionada pelo boom dos tratamentos para emagrecimento. A entrada de rivais no mercado e pressões regulatórias, como as do ex-presidente dos EUA Donald Trump para redução dos preços dos medicamentos, intensificaram os desafios enfrentados pela Novo.
Investidores foram surpreendidos pela escala da reformulação do conselho, considerada rara para uma empresa do porte da Novo Nordisk. Sorensen reconheceu a falha na adaptação às rápidas mudanças do mercado norte-americano e no controle do crescimento excessivo.
Além de Lund, deixam seus cargos o vice-presidente Henrik Poulsen e cinco membros independentes do conselho. Apenas cinco diretores permanecerão até a assembleia geral extraordinária marcada para 14 de novembro, incluindo Kasim Kutay, CEO da Novo Holding A/S, que gerencia os investimentos da fundação.
Novos nomes foram indicados para o conselho, entre eles Mikael Dolsten, ex-diretor científico da Pfizer, e Stephan Engels, ex-diretor financeiro do Danske Bank. Helena Saxon, ex-diretora financeira da Investor A/B, também foi proposta para integrar o conselho no próximo ano.
A Fundação Novo Nordisk controla a farmacêutica por meio de uma estrutura acionária de dois níveis. Lars Rebien Sorensen dirigiu a empresa entre 2000 e 2016, período em que consolidou sua liderança no setor farmacêutico global.
Após o anúncio, as ações da Novo Nordisk caíram 2,4% nas negociações em Copenhague, acumulando uma baixa de 56% nos últimos 12 meses.



