Argentina reage com alta nos ativos após sinalização de apoio dos EUA
Os ativos financeiros argentinos registraram forte valorização nesta segunda-feira, impulsionados pela declaração do governo dos EUA sobre possíveis medidas de suporte à Argentina, que enfrenta forte volatilidade em seus mercados. A reação ocorreu em meio a um cenário político e econômico desafiador no país.
Alta dos ativos e recuperação do peso
As ações argentinas negociadas nos Estados Unidos saltaram mais de 10%, enquanto os títulos internacionais em dólar subiram cerca de 6,7 centavos, com o título de 2046 alcançando 53,85 centavos de dólar. O peso argentino também se fortaleceu 2%, cotado a 1,446 por dólar, após o Banco Central queimar mais de US$ 1 bilhão em reservas na semana anterior para sustentação da moeda.
Medidas de apoio dos EUA
O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que todas as opções estão sendo consideradas para apoiar a Argentina, incluindo linhas de swap, compras diretas de moeda e aquisição de dívida pública em dólares. Ele destacou a importância estratégica da Argentina como “aliado sistêmico importante” na América Latina e mencionou reunião entre os presidentes Javier Milei e Donald Trump prevista para terça-feira.
Contexto econômico e político
Recentemente, o governo argentino anunciou a suspensão temporária dos impostos de exportação sobre todos os grãos até o fim de outubro, período que inclui uma eleição decisiva de meio de mandato marcada para o dia 26. Os mercados argentinos tinham sofrido quedas expressivas, com os títulos internacionais caindo mais de 20% no ano, reflexo de incertezas políticas intensificadas por alegações de corrupção e resultado adverso em eleição local em Buenos Aires.
Analistas e perspectivas futuras
Alejo Czerwonko, chefe de investimentos para mercados emergentes nas Américas do UBS, destacou que o anúncio dos EUA foi um “disjuntor” necessário para os ativos argentinos, concedendo ao governo Milei uma janela crítica para se reposicionar antes das eleições de outubro. A expectativa é que um resultado eleitoral favorável contribua para reduzir a ansiedade dos investidores.
Kathryn Exum, codiretora de pesquisa soberana da Gramercy Funds Management, ressaltou que o apoio financeiro combinado com medidas fiscais recentes pode ajudar a Argentina a administrar a atual política cambial e reduzir a insustentável queima de reservas. Ela também alertou que a capacidade do governo de ajustar a política econômica após as eleições será determinante para a trajetória dos preços dos títulos e o acesso aos mercados em 2026.



