Venezuela ofereceu participação dominante em petróleo e mineração aos EUA, mas proposta foi rejeitada
Autoridades venezuelanas propuseram ao governo Trump uma oferta abrangente para encerrar o conflito bilateral, incluindo concessões significativas na exploração da riqueza petrolífera e mineral da Venezuela. Segundo fontes próximas às negociações, o presidente Nicolás Maduro ofereceu abrir todos os projetos atuais e futuros de petróleo e ouro para empresas americanas, além de conceder contratos preferenciais e reverter a exportação de petróleo da Venezuela da China para os Estados Unidos.
A proposta incluía também a suspensão de contratos com empresas chinesas, iranianas e russas na área de energia e mineração. Apesar disso, o governo Trump rejeitou a oferta, cortando a diplomacia com a Venezuela e aumentando a pressão militar e econômica na região.
O corte das relações diplomáticas e a intensificação das ações militares americanas no Caribe alimentaram a percepção de que o real objetivo de Washington seria a remoção de Maduro do poder. O secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional dos EUA, Marco Rubio, destacou-se como principal voz na resistência à proposta diplomática, classificando Maduro como líder ilegítimo e fugitivo da justiça americana.
Enquanto isso, defensores da diplomacia acreditam que a postura negociadora pode ser retomada, citando exemplos de reviravoltas recentes em outras políticas externas do governo Trump. Maduro, por sua vez, permanece firme em não negociar sua saída do poder, mas continua aberto a negociações econômicas e mantém aceitação de voos de deportação dos EUA.
Nos bastidores, o acordo não avançou devido à falta de consenso sobre o futuro político de Maduro. Funcionários venezuelanos, com sua aprovação, tentaram eliminar o nacionalismo de recursos, base do movimento chavista, oferecendo amplas concessões econômicas. Contudo, a repressão interna e a manipulação eleitoral persistem, com Maduro mantendo o controle desde 2013 apesar de acusações de fraude e repressão a protestos.
No setor privado, a estatal petrolífera venezuelana concedeu à Chevron o controle total dos projetos conjuntos e discutiu dar à empresa americana maior participação em campos petrolíferos. Relações também foram buscadas com a ConocoPhillips, que deixou a Venezuela em 2007 após nacionalização de seus ativos.
Algumas concessões foram concedidas pelo governo americano, como o restabelecimento da licença para que a Chevron opere no país e a emissão de autorização para que a Shell retome atividades, incluindo produção de gás em campo offshore previsto para o próximo ano.
Apesar das negociações econômicas, a oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado, defende uma transição política para garantir estabilidade, estado de direito e liberdades individuais, ressaltando que as concessões de Maduro não representam segurança para investidores.
Atualmente, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia, uma queda significativa em relação aos 3 milhões produzidos no início do governo Chávez. Especialistas apontam potencial para aumento da produção com investimentos estrangeiros, mas há dúvidas sobre a viabilidade dessa retomada sob o governo atual.
As divergências internas nos Estados Unidos sobre as negociações refletem a complexidade da situação. Funcionários do governo afirmam que relatos sobre levantamento de sanções são imprecisos, mas confirmam que foram mantidas conversas sobre normalização econômica e acesso ao mercado venezuelano.
O impasse político persiste, enquanto o governo Maduro busca equilibrar a defesa da revolução socialista com a abertura econômica restrita, em meio à pressão internacional e às necessidades internas do país.



