Lula parte para Nova York e discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU com foco em soberania e multilateralismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo para Nova York, onde abrirá a 78ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira (23). O discurso marcará a primeira participação de Lula no evento desde sua posse, com temas voltados a soberania, democracia e multilateralismo, em um momento de tensão diplomática com os Estados Unidos.
Encontro e cenário diplomático
Lula e o presidente americano Donald Trump discursarão na mesma sessão da ONU, com Lula abrindo a pauta e Trump logo em seguida. Será a primeira vez que ambos estarão no mesmo ambiente desde a posse de Trump em 2025. A relação entre Brasil e Estados Unidos está fragilizada após o governo Trump impor tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras e ameaçar novas sanções, ligadas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O encontro entre os dois presidentes nos bastidores também é possível.
Temas do discurso
No discurso, Lula defenderá a soberania nacional, a democracia e o multilateralismo, temas centrais para sua agenda internacional, mas evitará ataques diretos ao governo Trump para suavizar o tom diante da crise bilateral. O reconhecimento do Estado da Palestina será ressaltado, continuando um posicionamento adotado por Lula desde o início do conflito na Faixa de Gaza. Além disso, ele reiterará a busca por uma solução pacífica para a guerra na Ucrânia, compromisso mantido desde o começo de seu mandato.
Possível reunião bilateral com Zelensky
O governo brasileiro negocia uma reunião bilateral entre Lula e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky durante a semana da Assembleia. O pedido partiu da Ucrânia, com interesse mútuo para diálogo, mas questões de segurança e a agenda restrita de Zelensky dificultam o agendamento. O Brasil recebeu cerca de 30 solicitações para encontros bilaterais e a confirmação deve ocorrer entre domingo (21) e segunda-feira (22), com a equipe presidencial avaliando pedidos de última hora, prática comum da diplomacia.
Impacto no mercado
O discurso de Lula e a agenda em Nova York ocorrem em meio a um cenário global instável, com volatilidade nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, podendo afetar setores exportadores e o mercado cambial. Investidores acompanham o desenrolar das negociações comerciais e manifestações políticas para avaliar riscos e oportunidades no curto e médio prazos, sobretudo diante das tarifas impostas pelos EUA e a perspectiva de sanções adicionais. A postura brasileira na ONU também será observada como indicador de sua política externa e estabilidade diplomática, influenciando o sentimento do mercado em relação ao Brasil.



