Lula avalia participação em conferência pró-Estado Palestino em meio a crise diplomática com EUA e Israel
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para a segunda edição da Conferência para a Solução Pacífica da Questão da Palestina, marcada para 22 de setembro em Nova York, onde deve defender a criação do Estado Palestino, em um movimento que o coloca em oposição direta a Israel e aos Estados Unidos.
Conflito diplomático e impacto no mercado
A iniciativa, patrocinada por França e Arábia Saudita, busca fortalecer o apoio à solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina, em meio à tensão recente causada pelo bombardeio israelense a lideranças do Hamas em Doha, no Catar — ação condenada pelo governo Lula por violação do território de um terceiro país.
Na última semana, enquanto a ONU manifestou amplo apoio à criação do Estado Palestino e condenou o ataque do Hamas, EUA e Israel boicotaram a iniciativa. O primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu reafirmou que “não haverá um Estado Palestino” e defendeu a continuação da expansão de assentamentos na Cisjordânia.
Esse cenário diplomático delicado pode exercer influência sobre os mercados globais, particularmente em setores relacionados à energia e defesa, além de afetar os índices da bolsa, câmbio e potencialmente a volatilidade em criptomoedas, embora impactos específicos ainda não estejam claros até o momento.
Agenda internacional e próximas implicações
Lula viajará aos EUA para participar da Assembleia Geral da ONU, onde deve proferir um discurso focado na crise do multilateralismo e na necessidade de reforma das instituições globais, especialmente o Conselho de Segurança. Está prevista também sua participação na Semana do Clima, anticipando a COP30.
Além da pauta da Palestina, o presidente pretende abordar temas como soberania nacional, Organização Mundial do Comércio, mudanças climáticas, democracia, conflitos internacionais — incluindo a guerra na Ucrânia e ataques ao Irã — e iniciativas de paz coordenadas pelo Brasil e China.
O Brasil, que preside um dos grupos de trabalho da conferência sobre a promoção do respeito ao direito internacional para a resolução do conflito, também articula encontros paralelos para discutir defesa da democracia, cooperação climática e o lançamento do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF).
A efetiva participação de Lula no evento pró-Palestina dependerá do engajamento de outros líderes internacionais, e o presidente poderá desistir da presença caso o encontro seja percebido como esvaziado, segundo membros do governo.



