Em discurso durante a 4ª reunião de Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), em Santa Marta, Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo e criticou manobras que justificam o uso da força e intervenções ilegais em nações.
“A ameaça do uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, declarou o presidente, sem especificar os países envolvidos. Lula reiterou que a região deve permanecer em paz, argumentando que democracias não combatem o crime violando o direito internacional.
O encontro ocorre em um contexto de preocupação com a atuação dos Estados Unidos contra supostos traficantes de drogas no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Desde setembro, militares americanos têm atacado embarcações na região, alegando transporte de drogas da Venezuela para os EUA. Um ataque recente resultou em três mortes, elevando o número total de mortos em operações semelhantes para pelo menos 70.
Lula ressaltou que a América Latina e o Caribe voltaram a ser uma região dividida, citando ameaças como extremismo político, manipulação da informação e crime organizado. O presidente também lamentou a falta de implementação de ideias e iniciativas discutidas em diversas reuniões.
Sobre segurança pública, Lula defendeu a repressão ao crime organizado e o combate ao financiamento e tráfico de armas, sem mencionar a recente operação no Rio de Janeiro que resultou em um alto número de mortes. Ele mencionou o comando tripartite na tríplice fronteira com Argentina e Paraguai e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia como plataformas de cooperação.
O presidente também destacou a importância da COP30, que será realizada em Belém, e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, defendendo a transição para energias limpas e a redução da dependência de combustíveis fósseis.
Por fim, Lula defendeu a igualdade de gênero e a indicação de uma mulher latino-americana para o cargo de secretária-geral da ONU, atualmente ocupado pelo português António Guterres.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



