Linha de Vida dos EUA, Desafios de Milei e Adoção de Criptomoedas

4 Min Read

Crise na Argentina: EUA oferecem apoio financeiro diante de instabilidade econômica

A Argentina enfrenta alta inflação e forte desvalorização do peso, que têm pressionado os preços de ativos domésticos. Em meio a esse cenário, os Estados Unidos anunciaram uma possível ajuda financeira para o país, embora especialistas em Bitcoin questionem a efetividade dessa medida.

Na última semana, o peso argentino despencou cerca de 4,5%, abalada pela desconfiança dos investidores em relação à capacidade do presidente Javier Milei em implementar reformas fiscais e estruturais. O cenário político se agravou com uma investigação de corrupção envolvendo um parente de Milei, aumentando a incerteza.

Como reação, investidores retiraram recursos do mercado argentino, forçando o Banco Central a utilizar aproximadamente US$ 1,1 bilhão em três dias para tentar conter a moeda local. O país dispõe de cerca de US$ 20 bilhões em reservas internacionais líquidas, o que torna esse gasto muito significativo. Além disso, os preços dos títulos argentinos em dólar caíram diante do temor de que o governo esteja consumindo recursos de forma insustentável.

Em resposta, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que Washington considera a Argentina um aliado estratégico na América Latina e que está avaliando todas as opções para estabilização, incluindo linhas de swap, compra direta de moeda e uso do Fundo de Estabilização Cambial para adquirir dívida argentina.

Após o anúncio, o índice Merval da bolsa de Buenos Aires teve alta de mais de 9% em dólares, embora ainda registre queda de cerca de 49% no ano. Os títulos em dólar também deram sinais de recuperação.

Críticas e desafios internos prejudicam governo Milei

O presidente Milei enfrenta dificuldades para conter a inflação e reorganizar a economia. O economista Saifedean Ammous, autor do livro “The Bitcoin Standard”, criticou a gestão fiscal do governo, afirmando que a Argentina vive um esquema insustentável de dívida e inflação. Ammous destacou que a taxa de juros anual chegou a 88% na última emissão de títulos, e que o governo tem expandido significativamente a base monetária, contrariando o discurso libertário do presidente.

Desde a posse de Milei em dezembro de 2023, o peso argentino se desvalorizou fortemente, mantendo a inflação anual em dois dígitos, apesar da redução recente.

Adoção acelerada de criptomoedas na Argentina

Diante da incerteza econômica e política, os argentinos têm buscado refúgio em alternativas como stablecoins lastreadas em dólar e Bitcoin. A moeda local é operada dentro de uma banda cambial administrada, mas a instabilidade eleitoral tem estimulado a preferência por ativos mais estáveis.

Segundo Ignacio Gimenez, gerente da plataforma de negociação de criptomoedas Lemon, o volume de compras de stablecoins atingiu o maior nível diário desde 2024 em 14 de setembro, em meio a oscilações do dólar no mercado.

Gimenez comenta que, embora reformas fiscais estejam em andamento, ainda é cedo para avaliar seus impactos, mas ressalta que os argentinos continuam utilizando stablecoins para proteção contra a instabilidade, além de pagamentos internacionais, remessas e acesso ao financiamento descentralizado.

O Bitcoin também tem ganhado espaço como reserva de valor, superando em alguns momentos o dólar, principalmente após a relativa estabilidade cambial e queda da inflação no início de 2024. Atualmente, mais argentinos possuem Bitcoin do que stablecoins na plataforma Lemon.

O cenário econômico e político desafiador segue impulsionando a adoção das criptomoedas como alternativa de proteção e meio de transação na Argentina.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *