Ministro da Saúde afirma que restrições dos EUA não impedem parcerias internacionais
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, declarou neste sábado (27) que as limitações impostas pelo governo do presidente Donald Trump à sua participação em reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU) podem atrasar, mas não impedirão o Brasil de firmar parcerias na área da saúde com outros países. A afirmação foi feita durante visita ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, onde inaugurou novas alas e acompanhou obras.
Padilha ressaltou que, embora as restrições impeçam sua circulação livre nos EUA, a circulação das ideias e a cooperação internacional seguem ativas. Ele, sua esposa e filha sofreram represálias do governo americano, com o cancelamento dos vistos da esposa e da filha, enquanto o seu visto já estava vencido.
Durante a 80ª Assembleia Geral da ONU em Nova York, Trump suspendeu temporariamente a proibição de entrada de Padilha nos EUA, mas limitou sua locomoção ao hotel, sede da ONU e instalações médicas. A participação presencial de Padilha na reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Washington, permaneceu proibida, levando-o a cancelar a viagem.
"O fato de não estar presente pode atrasar, mas essas reuniões ocorrerão no Brasil ou em outros países", garantiu o ministro.
Impactos das tarifas americanas e parcerias para produção nacional
Ao comentar o impacto do aumento tarifário imposto pelos EUA, Padilha afirmou que as medidas afetam principalmente a indústria exportadora brasileira de produtos de saúde, como equipamentos médicos e insumos para saúde bucal. O governo já adota medidas para minimizar esses impactos, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), buscando diversificar mercados.
O ministro destacou ainda que as restrições incentivaram parcerias para produção nacional de medicamentos, como a insulina, para tratamento de diabetes. Empresas americanas também estariam buscando parcerias no Brasil, trazendo tecnologia, como no caso de um acordo para produção da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que será disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de novembro.
Implanon será disponibilizado gratuitamente pelo SUS
Padilha apresentou o Implanon, implante contraceptivo para prevenção da gravidez, que custa entre R$ 3 mil e R$ 5 mil em clínicas particulares. O SUS pretende distribuir 500 mil unidades até o final de 2024 e 1,8 milhão até o final de 2026, de forma gratuita, visando ajudar no planejamento familiar e na redução da gravidez na adolescência.
Investimentos em hospitais do Rio de Janeiro
Na agenda, o ministro visitou hospitais no município do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, incluindo o Hospital Federal do Andaraí, o Hospital Geral de Nova Iguaçu, o Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense e o Rio Imagem Baixada.
No Hospital Federal do Andaraí, foram reabertos o Centro de Tratamento de Queimados, o serviço de ortopedia e a cozinha, que estava fechada há mais de uma década. A iniciativa integra o Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais, que visa ampliar o atendimento especializado e reduzir o tempo de espera por cirurgias, em parceria com o programa Agora Tem Especialistas.
O Hospital, mantido por investimentos federais, conta com R$ 600 milhões para sua recuperação e está sob gestão municipal. Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, 30% das obras estão concluídas, com previsão de finalização das principais intervenções até o primeiro trimestre de 2026.



