Infecções causadas pelo Aedes aegypti aumentam o risco de problemas durante o parto.

3 Min Read

Infecções por arboviroses na gravidez elevam riscos para mães e recém-nascidos no Brasil

Doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, representam uma ameaça crescente à saúde materno-infantil no Brasil. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), baseado em mais de 6,9 milhões de nascidos vivos entre 2015 e 2020, revela que infecções por esses vírus durante a gravidez aumentam significativamente os riscos de complicações no parto e para os recém-nascidos.

Complicações associadas às arboviroses

A pesquisa conduzida pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Fiocruz Bahia) indica que a infecção por arboviroses durante a gestação eleva as chances de parto prematuro, baixo escore de Apgar e óbito neonatal. A dengue, especificamente, está vinculada ao parto antecipado, baixo peso ao nascer e desenvolvimento de anomalias congênitas, que são alterações estruturais e funcionais no feto.

No caso da zika, os impactos adversos são ainda mais amplos, incluindo um risco mais que duplicado de má-formação congênita em bebês de mães infectadas. Já a chikungunya também se mostrou associada a consequências graves, como aumento do risco de morte neonatal e anomalias congênitas.

Vulnerabilidade segundo o período da gestação

O estudo detalha que os riscos variam conforme o vírus e o trimestre da gestação em que ocorre a infecção, sugerindo diferentes mecanismos biológicos em cada fase da gravidez. Essa variação reforça a necessidade de vigilância e prevenção contínua durante toda a gestação.

Prevenção e políticas públicas

Diante dos resultados, os pesquisadores destacam a importância de fortalecer as medidas preventivas para proteger tanto as gestantes quanto seus filhos. Em comunidades vulneráveis, a maior exposição ao mosquito transmissor intensifica os riscos de infecção e pode resultar em efeitos mais severos. Além disso, o custo do cuidado de crianças afetadas por anomalias congênitas recai de forma desproporcional sobre famílias de baixa renda.

Os especialistas defendem a ampliação da cobertura vacinal contra a dengue e a inclusão da vacinação contra chikungunya na política nacional de imunização. Ressaltam ainda a necessidade de campanhas educativas para informar sobre os riscos da dengue e chikungunya na gestação, atualmente menos difundidos que os impactos da zika.

Garantir o acesso gratuito e abrangente às vacinas para todas as gestantes, independentemente de sua condição socioeconômica, é considerado fundamental para minimizar os impactos dessas doenças na saúde materno-infantil no Brasil.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *