Haddad defende redução da Selic e prevê inflação em queda para 2025
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (23) que a taxa básica de juros (Selic) está acima do necessário para o atual cenário econômico e defendeu sua redução, criticando a manutenção dos juros em 15%. Segundo ele, a inflação já apresenta trajetória de convergência para dentro do sistema de metas, abrindo espaço para cortes na taxa básica.
“Se você me perguntar se acho justificável o juro estar nesse patamar, acredito que não. Tem espaço para a Selic cair; nem deveria estar em 15%”, declarou Haddad.
O ministro ressaltou a complexidade do desafio enfrentado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que assumiu o cargo em meio a uma crise importante em dezembro de 2024. Para Haddad, a inflação deve fechar 2025 em patamar igual ou inferior ao registrado no ano anterior, apesar da valorização do dólar no fim do ano passado.
“Mesmo com o repique do dólar, a inflação já está voltando para níveis próximos ao teto da banda, dentro do horizonte previsto pelo sistema de metas”, afirmou. Haddad também expressou confiança na atuação do Banco Central e na condução de Galípolo, prevendo uma redução da Selic em breve.
Banco Central mantém Selic em 15% e avalia cenário
Nesta terça-feira, o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), confirmando a manutenção da Selic em 15% ao ano por enquanto. O colegiado interrompeu o ciclo de alta para monitorar os efeitos acumulados da política monetária antes de tomar novas decisões.
“Agora, conforme o cenário se delineia como esperado, o Comitê opta por manter a taxa inalterada e seguir avaliando se essa estratégia será suficiente para a convergência da inflação à meta”, diz o documento.
A meta central de inflação está fixada em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O Copom observou a projeção de inflação de 3,4% para o primeiro trimestre de 2027 e destacou atenção aos riscos externos, entre eles decisões do Federal Reserve dos EUA e possíveis impactos tarifários internacionais.
Isenção do IR para até R$ 5 mil enfrenta desafio da compensação fiscal
Sobre a proposta de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal até R$ 5 mil, Haddad declarou acreditar que o Congresso está maduro para aprovar a medida, mas destacou que o principal desafio continua sendo a compensação fiscal necessária.
“O Congresso está muito maduro para aprovar a isenção. O problema é aprovar a compensação, que é o andar de cima”, pontuou o ministro.
Haddad também projetou que o presidente Lula sancionará a proposta já em outubro, embora o texto ainda não tenha sido votado.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que a votação da proposta deve ocorrer na próxima semana, após reunião do colégio de líderes para avaliação do relatório da comissão especial. Paralelamente, o Senado analisa projeto alternativo que propõe isenção similar, numa tentativa de pressionar a Câmara para acelerar a tramitação da medida.



