Paul Biya é declarado vencedor das eleições em Camarões e deve governar até os 99 anos
O presidente de Camarões, Paul Biya, de 92 anos, foi oficializado como vencedor das eleições presidenciais realizadas em 12 de outubro, com 53,7% dos votos. Caso complete seu oitavo mandato, Biya governará a nação da África Central até os 99 anos.
Resultados das eleições e controvérsias
Biya superou seu principal adversário, Issa Tchiroma Bakary, que obteve 35,2% dos votos e renunciou ao governo em junho. O Conselho Constitucional rejeitou a análise das petições da oposição e grupos de direitos civis, que denunciaram irregularidades como assédio a eleitores, mudanças na localização de seções eleitorais e contagem suspeita de votos. Bakary, que declarou vitória antecipadamente, convocou manifestações pacíficas, proibidas pelas autoridades, resultado em pelo menos quatro mortos em confrontos na cidade de Douala.
Impacto no mercado financeiro
O rendimento dos títulos em dólar de Camarões com vencimento em 2031 caiu pelo sexto dia consecutivo, recuando quase 5 pontos-base, para 10,6% em Londres. A votação e a continuidade do governo de Biya influenciam a percepção de risco do país, refletida nos mercados de dívida. Investidores aguardam desdobramentos para avaliar impactos mais amplos, com cautela diante da instabilidade política.
Perspectivas políticas e econômicas
Paul Biya é o chefe de Estado mais velho em exercício no mundo e está no poder há 43 anos. A maioria da população camaronesa, com idade média de 18 anos, nunca viveu sob outro líder. Sua idade avançada e a pouca frequência em aparições públicas aumentam as incertezas sobre a sucessão e a estabilidade política futura. Conforme a Constituição, o presidente do Senado, atualmente Marcel Niat Njifenji, também idoso e com saúde debilitada, assumiria interinamente em caso de morte de Biya.
A ausência de campanha intensa e a visita médica à Suíça pouco antes da eleição refletem questões de saúde e geram questionamentos sobre a capacidade de liderança do presidente. Na única aparição pública durante a campanha, Biya prometeu emprego, empreendedorismo e maior segurança — temas críticos em um país onde 40% da população vive em condições de pobreza.
Desafios internos persistentes
Campeão de mandatos longos, Biya enfrenta desafios significativos, como o terrorismo e sequestros na região norte, além de um conflito armado separatista nas regiões de língua inglesa Noroeste e Sudoeste, que já provocou aproximadamente 6.500 mortes desde 2017. Casos recorrentes de corrupção sob seu governo também impactam a confiança pública, enquanto o governo tem mantido silêncio diante das denúncias.
A continuidade da liderança de Biya em meio a essas tensões mantém o cenário político de Camarões instável, com possíveis repercussões para o ambiente de negócios e a percepção dos investidores no médio prazo.



