Google Cloud considera transformar o Brasil em um centro de treinamento para modelos de IA

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Google Cloud avalia Brasil como polo para processamento de inteligência artificial

O Brasil pode se consolidar como um centro estratégico para o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) devido às condições favoráveis de energia limpa e de baixo custo, segundo Thomas Kurian, presidente global do Google Cloud. A empresa está avaliando a demanda internacional para a utilização de data centers brasileiros.

Na última quarta-feira (10), o Google anunciou a instalação dos chips TPU Trillium – processadores avançados focados em IA – em sua infraestrutura localizada em São Paulo. Essa tecnologia da sexta geração permitirá que clientes brasileiros executem aplicações de IA localmente, atendendo necessidades de redução da latência e cumprimento de requisitos regulatórios.

O Google Cloud já é parceiro de nove dos dez principais laboratórios de inovação do mundo, que têm liberdade para escolher onde seus dados são armazenados. Kurian afirmou que negociações estão em andamento para que parte dessa capacidade fique hospedada no Brasil.

Mídias generativas e aplicações corporativas

Além do suporte ao processamento de IA, a empresa reforça o uso de suas capacidades para a geração de mídias – incluindo imagens, vídeos e áudios – por meio das ferramentas reunidas no pacote denominado mídia generativa. Um exemplo destacado é o Chirp, que cria vozes personalizadas para atendimento em call centers, ajudando empresas a estabelecerem uma identidade vocal para suas marcas.

O desenvolvimento dos TPUs foi motivado pela demanda crescente do assistente de voz do Google, especialmente após 2015, quando a empresa identificou que a popularização das buscas por áudio exigia maior capacidade computacional para manter a performance dos processos.

Nova versão do modelo Gemini para data centers brasileiros

O Google Cloud também anunciou que organizações brasileiras poderão utilizar a versão Gemini 2.5 de seu modelo de linguagem, mantendo os dados armazenados em seus próprios data centers, mantendo assim requisitos rigorosos de segurança e desempenho. A estatal Serpro já emprega esses serviços e será uma das principais beneficiadas.

Segundo Kurian, o setor privado demonstra interesse nesse formato devido à maior confidencialidade oferecida. Exemplos citados incluem empresas do ramo de saúde, que lidam com dados sensíveis e identificáveis, e instituições financeiras que buscam assegurar proteção reforçada às informações dos clientes. Além da segurança, a configuração traz ganhos significativos em desempenho.

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