Goldman Sachs afirma que demanda por ouro vai além do entusiasmo momentâneo e pode alcançar níveis da década de 1970.

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Ouro atinge novo recorde e especialistas veem alta sustentada por fundamentos econômicos

O preço do ouro registrou forte valorização em 2025, acumulando alta de 65%, impulsionado por incertezas econômicas globais e tensões comerciais. Na última sexta-feira (17), o metal precioso atingiu cerca de US$ 4.242 por onça (28,35 gramas), um novo recorde histórico.

Segundo Lina Thomas, estrategista de commodities do Goldman Sachs Research, a alta do ouro é respaldada por fundamentos sólidos, e não por especulação ou euforia passageira. O entendimento é que o metal continua sendo um porto seguro em meio à desvalorização do dólar, que perdeu força frente ao impacto das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Além das tensões comerciais entre EUA e China, a perspectiva de cortes nas taxas de juros e a contínua compra de reservas em ouro pelos bancos centrais contribuem para a valorização do ativo. O Goldman Sachs projeta que o preço do ouro poderá alcançar US$ 4.900 até o final de 2026.

Retorno à importância histórica

O ouro, conhecido por ser uma commodity finita sem remuneração de juros ou dividendos, ganha destaque especialmente em períodos de instabilidade econômica devido ao seu valor intrínseco e capacidade de conservar patrimônio.

O mercado financeiro, tradicionalmente reticente, também tem revisado sua postura em relação ao ouro. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, que historicamente não recomendava investimentos no metal, admitiu recentemente que manter uma parte do ouro na carteira pode ser uma decisão racional.

Paralelos com a década de 1970

Especialistas traçam um paralelo entre a atual valorização do ouro e o boom registrado na década de 1970. Naquele período, o preço do metal saltou de US$ 35 em 1970 para US$ 850 em 1980, motivado pelo fim do padrão-ouro em 1971, choques no mercado de petróleo, inflação elevada e instabilidade política.

Lina Thomas destaca que preocupações fiscais e incertezas políticas daquela época levaram investidores a buscar o ouro como reserva de valor fora do sistema financeiro tradicional — cenário que pode se repetir diante das atuais tensões globais.

Pierre Lassonde, empresário canadense e renomado investidor em ouro, reforça a comparação histórica e acredita que os Estados Unidos estão iniciando um ciclo de alta similar ao dos anos 1970. Segundo ele, o mercado de ouro pode ter mais três anos de valorização significativa pela frente.

O tamanho relativamente menor do mercado do ouro em comparação com ações e títulos públicos também sugere que o preço do metal pode experimentar movimentações mais aceleradas, reforçando o potencial de ganho para investidores que buscam diversificação e proteção contra riscos macroeconômicos.

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