Crise de Intoxicações por Metanol Impacta Bares e Restaurantes em São Paulo
A crise causada por intoxicações por metanol tem provocado um impacto significativo no setor de bares, restaurantes e casas noturnas em São Paulo. Nas próximas noites, o movimento nesses estabelecimentos deve ser um termômetro para avaliar a repercussão da situação.
Áreas como Vila Madalena, Pinheiros, Vila Olímpia e regiões próximas a universidades, que concentram a preferência do público jovem, já sinalizam uma redução no fluxo de consumidores ou, ao menos, uma queda no consumo, segundo Denis Rezende, diretor da Associação Paulista de Bares, Restaurantes, Eventos, Casas Noturnas e Similares (Apressa) e proprietário do bar Café Journal. Ele destaca que os bares voltados para público com menos de 30 anos serão os mais afetados neste fim de semana.
Bebidas destiladas, como gin, uísque e vodca, estão no foco das investigações relacionadas às intoxicações por metanol. Até o momento, o Ministério da Saúde confirmou 59 notificações no país, sendo 53 em São Paulo, onde foram detectados 11 casos com presença confirmada de metanol. Outros estados, como Pernambuco e Brasília, registraram notificações, mas em menor quantidade.
Paulo Solmucci, presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), informou que São Paulo é o único estado a apresentar queda significativa no movimento de bares nos últimos dias, especialmente nas regiões onde houve fechamento cautelar de estabelecimentos para investigação. Ele avalia que, apesar do impacto inicial, a perda deve ser pontual se a situação mantiver esse ritmo.
Empresários do setor aguardam o resultado do próximo fim de semana para medir a extensão do receio dos consumidores. Fausto Salomão, sócio do Grupo Azim, que administra bares na Vila Madalena, espera uma retração natural no consumo em um primeiro momento devido à cautela do público.
No Café Journal, a venda de coquetéis à base de destilados praticamente zerou na última quarta-feira (1). Diversos bares da Apressa relataram cancelamentos de eventos corporativos nas próximas semanas.
Para restaurar a confiança, o Grupo Azim tem divulgado suas práticas de compra de bebidas e intensificado a comunicação sobre a origem dos produtos, que são adquiridos de distribuidores homologados por destilarias reconhecidas. Gerentes receberam treinamentos para esclarecer dúvidas dos clientes, e a fornecedora FG7 Bebidas passou por fiscalização da vigilância sanitária, que não encontrou irregularidades.
Outras distribuidoras importantes do setor também foram inspecionadas recentemente. Além disso, o Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo anunciou a suspensão da venda de bebidas destiladas em suas dependências como medida preventiva.
O Ministério da Saúde alerta para o aumento de casos de intoxicação por metanol, que superam a média histórica de aproximadamente 20 ocorrências por ano. O ministro Alexandre Padilha recomendou evitar a ingestão de destilados incolores cuja procedência não seja comprovada.
Em resposta, a Abrasel promoveu cursos para capacitar profissionais a identificar produtos falsificados, com mais de 10 mil inscrições em poucas horas. Até o momento, não há registros de estabelecimentos que planejem fechar temporariamente durante o fim de semana.
A situação segue sob vigilância, e o setor aguarda o comportamento dos consumidores nas próximas noites para avaliar o impacto econômico e social da crise.



