Investimentos em infraestrutura de IA elevam risco de excesso de capacidade, alerta gestor da Ares
O aumento significativo do fluxo de capital destinado à infraestrutura de inteligência artificial (IA) vem gerando preocupações sobre o risco de excesso de capacidade, segundo Kipp deVeer, copresidente da Ares Management Corp. Em entrevista durante o Fórum Econômico de Greenwich, nos EUA, ele alertou que grande parte da capacidade instalada pode se tornar marginal, com o risco de superdimensionamento em determinados mercados.
DeVeer destacou que, historicamente, setores que passam por rápida expansão em infraestrutura acabam enfrentando esse problema, o que exige uma abordagem seletiva e criteriosa na definição dos investimentos a serem realizados.
Gigantes do setor de gestão de ativos alternativos, como Blackstone, Brookfield, Apollo e Ares, têm investido fortemente em data centers para capitalizar a crescente demanda por poder computacional impulsionada pela inteligência artificial. Essas empresas veem esses investimentos como uma alternativa mais segura, diante da volatilidade e incertezas que marcam as ações diretamente relacionadas à IA.
A Ares elevou recentemente suas metas de captação de recursos, planejando captar mais de US$ 8 bilhões para projetos de data centers no curto prazo, incluindo expansões em Londres, Japão e Brasil. Paralelamente, a empresa ampliou sua meta para o segmento de gestão de patrimônio, de US$ 100 bilhões para US$ 125 bilhões até 2028.
No primeiro semestre de 2025, a Ares captou US$ 2,4 bilhões para investimentos em data centers, e detém um fundo focado em infraestrutura digital no Japão. Em 2024, a aquisição das operações fora da China da GLP Capital Partners, por até US$ 5,2 bilhões, dobrou seus ativos imobiliários e aprimorou a capacidade de desenvolvimento direto de data centers.
A estratégia da Ares prioriza empreendimentos com contratos de locação pré-acordados por longos períodos, geralmente 15 anos ou mais, com inquilinos que são grandes escaladores na área tecnológica. Essa abordagem visa mitigar riscos e garantir estabilidade de receita no longo prazo, muitas vezes financiando esses projetos com capital de seguradoras.
Além do foco em data centers, a empresa busca captar US$ 70 bilhões para crédito alternativo até 2028 e aposta no crescimento do mercado secundário de fundos privados, que deve mais que dobrar nos próximos cinco anos. A Ares já realizou a compra de US$ 7 bilhões em veículos de continuação, instrumentos que facilitam a transferência de participações privadas entre fundos.
Esses movimentos refletem o interesse crescente dos grandes investidores em infraestrutura digital como forma de aproveitar o boom da inteligência artificial, mas também evidenciam os desafios e riscos envolvidos no cenário atual de rápido crescimento e intensa competição pelo espaço físico e capacidade tecnológica.



