Comentários recentes de um jogador profissional de “League of Legends” reacenderam o debate sobre a disparidade de gênero nos esports. Bwipo, da equipe FlyQuest, foi suspenso após declarações polêmicas sobre a capacidade das mulheres em competir, alegando diferenças anatômicas e ciclos menstruais como fatores limitantes. Embora tenha se desculpado, o incidente expôs uma realidade persistente: a predominância masculina no cenário competitivo de videogames.
Em 2025, ainda é necessário reafirmar que o gênero não é um determinante do sucesso nos jogos. Habilidades como velocidade de resposta, leitura de tela e estratégia não são inerentes a nenhum sexo. No entanto, a falta de jogadoras em equipes e torneios de alto nível é evidente.
Embora não haja regras explícitas que impeçam a participação feminina, a segregação de gênero é uma característica marcante dos esports. Ligas femininas existem, mas recebem significativamente menos investimento e reconhecimento do que as competições mistas, perpetuando disparidades salariais e de oportunidades, espelhando problemas encontrados em esportes tradicionais.
Apesar de algumas atletas de destaque terem conquistado espaço em jogos como “CS:GO”, “Rocket League”, “WoW”, “Hearthstone” e “StarCraft II”, a diferença de ganhos entre homens e mulheres é gritante. O jogador masculino com maiores ganhos acumulou mais de US$ 7 milhões em prêmios, enquanto a jogadora feminina no topo da lista, possui um total de aproximadamente US$ 470 mil.
A causa fundamental dessa desigualdade, segundo especialistas, é o sexismo. A misoginia, muitas vezes camuflada em atitudes cotidianas, desfavorece as mulheres desde o início de suas carreiras nos games. Garotos recebem mais incentivo, respeito e apoio da comunidade, enquanto meninas precisam provar seu valor constantemente, enfrentando assédio e objetificação.
A solução, portanto, passa por mudanças na cultura e na mentalidade da comunidade gamer. É preciso combater os preconceitos desde as primeiras etapas de desenvolvimento de talentos, garantindo que jovens jogadoras recebam o mesmo incentivo e oportunidades que seus colegas homens. A simples conscientização de que a segregação de gênero nos esports é inaceitável já pode gerar um impacto significativo.



