Empresas com tesourarias em criptomoedas ampliam programas de recompra de ações
Companhias que possuem tesourarias em criptomoedas, como Bitcoin e Dogecoin, têm registrado valorização nas cotações de suas ações após anunciarem programas ampliados de recompra de papéis. Analistas interpretam essa movimentação como um indicativo de que essas empresas estão em uma nova etapa de competição por credibilidade no mercado.
Nesta quarta-feira, a empresa de mídia Thumzup, vinculada a Donald Trump Jr. e detentora de Bitcoin e Dogecoin, anunciou a ampliação de seu programa de recompra de ações de US$ 1 milhão para US$ 10 milhões. O anúncio impulsionou as ações da companhia (código TZUP) a subirem 7% durante o pregão regular, com alta adicional de 0,82% no after hours, negociadas a US$ 4,91.
De forma similar, a DeFi Development Corp (DFDV), empresa ligada ao ecossistema Solana, elevou sua recomposição de ações de US$ 1 milhão para US$ 100 milhões. As ações da companhia apresentaram ganhos superiores a 5%, fechando o dia com alta de mais de 2% e valorização adicional de 1% no after hours, cotadas a US$ 15,50.
Segundo relatório divulgado em 10 de setembro por pesquisadores da Coinbase, as empresas públicas que investem em criptomoedas estão entrando numa fase de “player versus player”, evidenciando uma competição mais acirrada pela atenção e recursos dos investidores.
Credibilidade e disciplina financeira em foco
Ryan McMillin, diretor de investimentos da Merkle Tree Capital, gestor australiano de ativos em criptomoedas, afirmou que as recompra de ações simbolizam o início de uma “corrida pela credibilidade” entre as empresas com tesourarias digitais. “Não basta mais apenas declarar a posse de Bitcoin. Investidores exigem alocação profissional de capital — recompra de ações, dividendos, estratégias claras para as tesourarias”, ressaltou.
Ele destaca que a combinação de ferramentas tradicionais de finanças corporativas com a narrativa das criptomoedas é estratégica, pois sinaliza que as companhias querem ser avaliadas não apenas pela exposição ao Bitcoin, mas pela capacidade de gerar retornos aos acionistas.
Confiança e valorização do ativo
Apesar dos exemplos positivos, nem todas as iniciativas de recompra geraram valorização imediata. A TON Strategy Company, anteriormente conhecida como Verb Technology Company, anunciou em 12 de setembro um programa similar, mas viu seu papel (TONX) cair 7,5%.
McMillin interpreta que programas de recompra são sinais clássicos de confiança empresarial, especialmente quando a empresa acredita que seu valor de mercado está abaixo do justo, o que é comum em empresas com tesouraria em criptoativos, cujas avaliações frequentemente oscilam em relação ao valor dos ativos detidos em Bitcoin (mNAV). A recompra, ao reduzir a quantidade de ações em circulação, tende a amenizar essas oscilações e transmitir disciplina, recompensada por investidores.
Ele também destaca que, enquanto a compra direta de Bitcoin aumenta a exposição da empresa à volatilidade, as recompras elevam diretamente o valor para os acionistas, atraindo um público mais amplo: “Alguns investidores buscam a narrativa do Bitcoin, outros valorizam a disciplina de capital. Uma recompra bem executada equilibra ambos critérios”.
Competição pela estrutura ideal de tesouraria
Kadan Stadelmann, diretor técnico da Komodo Platform, afirma que ao usar reservas em caixa para recomprar ações, as empresas reduzem o número de papéis disponíveis no mercado, pressionando os preços para cima. Ele enxerga um movimento de “hiperbitcoinização” equivalente a uma desdolarização, em que o Bitcoin disputa espaço frente ao dólar nas estratégias corporativas.
Tesourarias em criptomoedas devem se consolidar
Atualmente, empresas com Bitcoin em seus balanços já acumulam mais de 1,4 milhão de moedas, aproximadamente 6,6% do total em circulação. A líder no segmento é a Strategy, comandada por Michael Saylor, que detém cerca de 638 mil Bitcoins e mantém compras regulares.
Embora existam análises indicando saturação do mercado para empresas que investem em criptomoedas, Stadelmann prevê que o fenômeno das tesourarias em criptoativos continuará crescendo, inclusive entre companhias do índice Fortune 500.
Para ele, o desafio para os investidores será identificar quais empresas manterão suas posições em Bitcoin mesmo diante de mercados adversos, evitando vender em momentos de bear market ou pânico.



