ONU aponta queda inédita nas emissões de gases do efeito estufa antes de 2030, mas ritmo ainda é insuficiente para limitar aquecimento global
Um novo relatório da ONU indica que as emissões globais de gases do efeito estufa devem começar a recuar antes de 2030, algo inédito desde o Acordo de Paris em 2015. No entanto, o ritmo dessa redução ainda está aquém do necessário para conter o aquecimento global dentro da meta de 1,5°C, segundo estimativas internacionais.
Redução das emissões: o que mudou
O estudo avaliou 64 novos planos climáticos nacionais (NDCs), que representam cerca de 30% das emissões globais. A ONU aponta que a implementação desses compromissos deve levar as emissões a um pico antes de 2030, seguido por uma queda média estimada entre 11% e 24% até 2035, em comparação com os níveis de 2019. Esta é a primeira vez que as NDCs indicam um caminho claro para a redução das emissões.
Impactos no mercado e setores relevantes
Apesar do avanço simbólico, o relatório destaca que a redução média prevista de 17% até 2035 está longe dos 60% necessários para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C. Com isso, o planeta segue em rota para um aquecimento superior a 2°C, o que deve intensificar eventos climáticos extremos como ondas de calor, secas e enchentes, afetando setores-chave como energia, agricultura e transporte.
Os mercados poderão observar impacto indireto, especialmente em setores ligados à transição energética e commodities agrícolas, além de potencial influência nas estratégias de investimento voltadas para sustentabilidade e ativos verdes. A crescente atenção às políticas ambientais poderá afetar custos de produção e demanda por energias renováveis e tecnologias limpas.
Compromissos ampliados e desafios da COP30
Segundo o relatório, 89% dos países incluíram metas que abrangem toda a economia em seus novos planos climáticos, e 73% adotaram medidas de adaptação aos efeitos já visíveis das mudanças climáticas. Além disso, 88% das NDCs se baseiam no primeiro balanço global do Acordo de Paris, finalizado em 2023, incorporando temas sociais como igualdade de gênero e transição justa para trabalhadores.
No cenário internacional, a União Europeia enfrenta dificuldades para definir suas metas climáticas para 2035 e 2040, com resistências internas que podem influenciar a credibilidade do bloco nas negociações da COP30, marcada para novembro de 2025 no Brasil. O uso de créditos de carbono internacionais permanece um ponto controverso, com críticas sobre a diluição da responsabilidade dos países desenvolvidos.
Perspectivas futuras
A COP30 deve ser um momento decisivo para acelerar ações climáticas, marcando a transição de promessas a implementação efetiva de políticas públicas e investimentos em sustentabilidade. Para investidores, o relatório reforça a importância de monitorar as mudanças regulatórias e as oportunidades em setores ligados à descarbonização e adaptação climática diante do cenário global em evolução.



