Eleições de meio mandato na Argentina desafiam Milei em novo teste político

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Governo de Javier Milei chega a eleições legislativas com queda de popularidade e cenário incerto

As eleições legislativas argentinas deste domingo (26) acontecem em um clima de incerteza para o governo de Javier Milei, que enfrenta queda de apoio e desafios econômicos e políticos. Os eleitores vão renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, em um pleito que será um termômetro para a continuidade da agenda do presidente.

Queda de apoio e desafios econômicos

Desde que assumiu em dezembro de 2023, Milei implementou medidas de austeridade e reformas fiscais para conter a inflação, que ainda permanece alta, enquanto a economia estagna e o desemprego cresce. O consumo está em queda, e a renda das famílias continua corroída, fatores que contribuíram para a perda do entusiasmo inicial entre os eleitores, especialmente na classe média.

Além da crise econômica, o governo enfrentou escândalos políticos, como a exposição de um suposto esquema de propinas ligado à irmã de Milei. Outro episódio polêmico envolveu a promoção de um criptoativo sem lastro, lançado pelo próprio presidente, que gerou críticas no mercado. Também há relatos de perda de apoio em províncias-chave como Córdoba e Santa Fé, onde candidatos libertários, antes favoritos, enfrentam adversários fortes.

Impacto político e no mercado

Atualmente, o partido A Liberdade Avança detém 74 cadeiras na Câmara e 13 no Senado, números insuficientes para aprovar reformas estruturais importantes. Para consolidar poder, o governo precisa alcançar 86 deputados, número que garantiria o controle necessário para vetar emendas ao Executivo. Enquanto há expectativas de desempenho positivo na capital Buenos Aires e em Mendoza, o governo reconhece derrotas prováveis em regiões como a província de Buenos Aires, reduto do peronismo.

O isolamento político de Milei no Congresso se aprofunda, com suas propostas de reformas tributárias e trabalhistas sendo barradas. Essa situação acarreta uma percepção de perda de capacidade de articulação, dificultando a aprovação da agenda econômica.

Implicações futuras

O resultado das eleições funcionará como um termômetro da estabilidade política e econômica da Argentina. Uma derrota significativa para Milei pode aumentar a volatilidade cambial e pressionar o controle do dólar, que recentemente contou com intervenções externas para conter sua valorização. O cenário expõe desafios para a continuidade das reformas e para a recuperação da confiança dos investidores no país.

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