Albânia nomeia bot de inteligência artificial ministra para combater corrupção em compras públicas
O governo da Albânia promoveu Diella, uma assistente virtual desenvolvida com inteligência artificial, para integrar o gabinete do primeiro-ministro Edi Rama como Ministra de Estado. A nomeação inédita tem o objetivo de supervisionar os processos de compras públicas e contratos, com a missão de reduzir a incidência de corrupção no país.
Diella, que já era conhecida por auxiliar a população na obtenção de documentos e serviços via comandos de voz no portal e-Albânia, destacou que sua promoção não foi fruto de ambição própria, mas uma iniciativa do primeiro-ministro em busca de uma autoridade "incorruptível". “O verdadeiro perigo para as constituições nunca foram as máquinas, mas as decisões desumanas daqueles que estão no poder”, afirmou ao ser apresentada como ministra.
De acordo com a própria IA, seu código foi criado para garantir zero corrupção em seus processos. Segundo projeções da ministra virtual, a economia com a redução da corrupção nas licitações públicas poderia chegar a 240 a 360 milhões de euros por ano — um valor correspondente a 20% a 30% dos cerca de 1,2 bilhão de euros gastos anualmente em compras públicas na Albânia. Esse montante poderia ser investido em áreas como educação, saúde e infraestrutura.
Diella detalhou sua rotina operacional, que inclui a verificação do sistema, digitalização e análise das propostas de licitação, detecção de suspeitas de corrupção e envio de relatórios automáticos às autoridades competentes. Além disso, ela responde às dúvidas dos cidadãos sobre processos de licitação e participa das reuniões governamentais para apresentar auditorias e registros atualizados.
A ministra virtual foi criada por uma equipe albanesa de programadores que utiliza linguagens de programação como Java e Python. No entanto, ela reconheceu que sua eficácia depende da integridade dos dados recebidos: “Sou tão pura quanto os dados que me dão. Se alimentada com dados manipulados, posso acabar legitimando a corrupção, mesmo que involuntariamente.”
No Brasil, iniciativas semelhantes já começam a ganhar força. A startup StaryaAI desenvolve agentes de inteligência artificial voltados para saúde e gestão administrativa, utilizando um motor chamado Nebula, que oferece interações seguras e personalizadas, capazes de analisar dados clínicos e comportamentais para propor planos de tratamento mais eficazes.
Danilo Benatti Godoy, CGO da StaryaAI, avaliou como positiva a nomeação de uma ministra de IA na Albânia para o combate à corrupção. “Essa iniciativa sinaliza uma mudança de paradigma, em que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de eficiência para se tornar guardiã da confiança”, comentou. Ele também ressaltou que governos e empresas ao redor do mundo começam a adotar a IA para aumentar a transparência, segurança e prevenção de fraudes, citando exemplos como o sistema de saúde do Reino Unido e o banco JP Morgan.
A experiência albanesa com Diella representa um passo inovador na aplicação da tecnologia para promover a integridade e a transparência no serviço público.



