Perfil e formação de perfumista: trajetória, desafios e inovações
Cesar Veiga, perfumista do Grupo Boticário, demonstra uma capacidade olfativa apurada e treinada, capaz de identificar com precisão qualquer combinação entre as cerca de 3 mil matérias-primas existentes na perfumaria. Seu processo de formação envolveu tanto cursos técnicos quanto a graduação em Farmácia, somados a anos de treino intenso para distinguir fragrâncias naturais e sintéticas.
A certificação para perfumistas pode ser obtida por meio do curso oficial de Design e Criação de Aromas oferecido pelo ISIPCA, instituto francês especializado, ou mais comumente, via treinamentos internos nas indústrias e casas de fragrância. Esses treinamentos práticos duram cerca de três anos e se dedicam ao reconhecimento e memorização das milhares de matérias primas básicas utilizadas na criação dos perfumes.
O desenvolvimento profissional inclui o aprendizado gradual: início pela identificação dos “acordes” (combinações básicas de ingredientes), reprodução olfativa de perfumes existentes e, finalmente, a criação original inspirada por memórias e emoções, como um cenário ou uma experiência pessoal. Veiga destaca que a perfumaria exige não só sensibilidade olfativa, mas também talento artístico e uma conexão emocional, características não compatíveis com um perfil excessivamente racional.
A inspiração para suas criações frequentemente provém das artes visuais, arquitetura e cores, aproximando a construção da fragrância de uma interpretação artística, quase como a tradução de obras de arte em aromas. Embora muitos perfumistas tenham histórico em áreas como Química ou Farmácia, hoje profissionais de artes plásticas também ingressam na carreira, desde que tenham conhecimento básico em química.
A rotina de um perfumista é diversificada, combinando trabalho de laboratório, pesquisa de tendências e busca de inspirações em diferentes culturas e ambientes. Veiga destaca a importância da análise estratégica de matérias-primas inovadoras e da atenção aos sinais que apontam para futuras tendências de mercado.
A inteligência artificial também integra o trabalho da perfumaria contemporânea. Veiga utiliza dados e pesquisas para definir notas e composições de acordo com perfis específicos de consumidores, aumentando a precisão e agilidade na criação dos produtos. Assim, ferramentas tecnológicas auxiliam na interpretação de preferências e comportamentos, contribuindo para a construção de fragrâncias alinhadas às expectativas do público-alvo.
Esta combinação de técnica, sensibilidade artística e inovação tecnológica revela um panorama atual da profissão, traduzindo o perfume não apenas como um produto, mas como uma experiência sensorial profundamente ligada à emoção e cultura.



