Kushner lidera negociações críticas para libertação de reféns e acordo de paz entre Israel e Hamas
Na última sexta-feira (3), Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump, assumiu um papel central nas negociações que buscaram a libertação de reféns israelenses mantidos pelo Hamas e um possível acordo de paz entre as partes. Kushner, que atuava em sua mansão em uma ilha artificial ao norte de Miami, deslocou-se até outra residência na região, pertencente ao bilionário Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Oriente Médio, estabelecendo um centro de comando diplomático fora de Washington.
O acordo, que começou a ser estruturado após um entendimento inicial entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e Trump, previa 20 pontos principais favoráveis a Israel. As dúvidas estavam relacionadas à disposição do Hamas de aceitar os termos, libertar os reféns e abrir mão do controle sobre a Faixa de Gaza. Trump chegou a alertar o grupo de que milhares haviam sido mortos no conflito e que havia risco de mais perdas caso o acordo não fosse aceito.
Horas depois do anúncio da disposição do Hamas em iniciar negociações para a liberção dos reféns, Kushner, ao lado de Witkoff, trabalhou para manter otimismo nas partes israelenses, apesar das preocupações sobre o armamento e controle político do Hamas. O gabinete de Netanyahu confirmou a aceitação da primeira fase do plano de paz de Trump.
A condução das tratativas, feitas sem o uso de diplomatas tradicionais, confiou em Kushner, que já tinha experiência na região, especialmente após participação nos Acordos de Abraão, que normalizaram relações entre Israel e diversos países árabes. Kushner e Witkoff, ambos empresários do setor imobiliário com experiência em negociações duras, aplicaram suas habilidades na tentativa de alcançar um "sim" inicial para o acordo, com ajustes posteriores.
Na terça-feira (7), a dupla viajou ao Egito para avanços nas negociações, juntando-se a mediadores que buscavam o desarmamento do Hamas e a libertação dos reféns, prisioneiros desde ataques de 2023. Após a chegada a Cairo, Trump anunciou um acordo preliminar que poderia encerrar um conflito de dois anos marcado por mais de 1.200 mortes em Israel e mais de 67 mil palestinos mortos, incluindo civis, segundo relatos locais.
Kushner é elogiado nos bastidores por sua inteligência e habilidade, embora sua atuação venha acompanhada de questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, uma vez que sua empresa privada de investimentos é financiada em grande parte por capitais estrangeiros, incluindo fundos dos Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita. Kushner, voluntário não remunerado, não está sujeito às mesmas regras de transparência que funcionários públicos, o que alimenta críticas sobre a condução das negociações.
Autoridades da Casa Branca defendem a participação de Kushner, enfatizando sua confiança e respeito internacional, destacando que ele criou um plano de paz que outras administrações não conseguiram formular. Por outro lado, críticos, como o senador democrata Chris Van Hollen, pedem que Kushner trate as negociações com foco político e em direitos humanos, em vez de abordá-las como uma transação imobiliária.
Desde que deixou a Casa Branca, Kushner manteve forte influência em temas ligados ao Oriente Médio, estreitando relações com líderes árabes e israelenses e atuando em iniciativas de reconstrução para a Faixa de Gaza. Sua articulação demonstra a tendência do ex-presidente Trump de privilegiar conselheiros próximos no lugar de diplomatas tradicionais para conduzir questões internacionais sensíveis.
O ex-conselheiro continua próximo a Trump e, nos últimos meses, passou a colaborar com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair em planos para o pós-guerra na região. Envolvido intensamente nas negociações recentes, Kushner demonstrou crença em uma oportunidade real de avanço na paz, mesmo reconhecendo o desafio pessoal e profissional que a missão representa.



