Crypto influencer é condenado a um ano de prisão por esquema de cryptojacking nos EUA
Um influenciador do universo das criptomoedas foi condenado a um ano e um dia de prisão por comandar uma operação de grande escala de cryptojacking, que lesou dois importantes provedores de serviços de computação em nuvem. Cryptojacking refere-se ao uso não autorizado de recursos computacionais, como energia e capacidade de processamento, para mineração de criptomoedas.
A sentença foi determinada por um tribunal federal em Brooklyn, que julgou Charles O. Parks III, também conhecido como “CP3O”. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), Parks utilizou identidades corporativas falsas, como “MultiMillionaire LLC” e “CP3O LLC”, para obter privilégios aumentados em duas empresas de computação em nuvem não identificadas. Com esses acessos, minerou cerca de US$ 1 milhão em criptomoedas — incluindo Ether (ETH), Litecoin (LTC) e Monero (XMR) — entre janeiro e agosto de 2021, causando prejuízo estimado em mais de US$ 3,5 milhões aos provedores.
Parks havia se declarado culpado em dezembro por fraude eletrônica, respondendo também por acusações de lavagem de dinheiro e transações ilegais, infrações que poderiam acarretar até 50 anos de prisão.
De acordo com as investigações, Parks enganou as empresas afirmando que usaria os recursos para desenvolver uma plataforma de treinamento online nas áreas de mídia, tecnologia e estratégia empresarial, com a promessa de atender a 10 mil alunos. Na prática, não existia tal empresa nem estudantes, e os recursos eram desviados para mineração de criptomoedas. Quando questionado sobre o uso irregular dos recursos e débitos não pagos, o acusado desviava as explicações.
O esquema criminoso incluiu a lavagem da criptomoeda obtida através de diversas exchanges, mercado de tokens não fungíveis (NFT), processadores de pagamento online e instituições bancárias. O dinheiro foi revertido para a compra de bens de luxo, como um carro Mercedes-Benz, joias e passagens aéreas em primeira classe.
Além da pena de prisão, Parks foi condenado à perda de US$ 500 mil e do veículo de luxo, com definição de valores para restituição a ser decidida posteriormente pela Justiça.
Parks também utilizava seus ganhos ilícitos para construir uma reputação online e atrair seguidores como um influenciador de criptomoedas, promovendo uma mentalidade de riqueza através de vídeos e um programa de assinaturas que oferecia coaching financeiro com pagamentos em sua própria criptomoeda.
Segundo o procurador Joseph Nocella Jr., Parks não era um inovador ou líder visionário, mas sim um fraudador que buscava enriquecer rapidamente por meio de mentiras e roubo.
A Polícia de Nova York reafirmou, por meio de sua comissária Jessica S. Tisch, que o condenado foi responsabilizado integralmente pelos seus atos fraudulentos que resultaram no desvio de milhões em recursos computacionais.



