China mantém crescimento econômico estável no terceiro trimestre, impulsionada por exportações e investimentos
A economia chinesa cresceu 1,1% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, mantendo ritmo semelhante ao registrado na primavera, conforme dados do Departamento Nacional de Estatísticas da China. Com essa performance, a expansão anual projetada é de aproximadamente 4,1%.
Apesar da retração nas vendas do varejo e da contínua deterioração do mercado imobiliário, setores como exportações robustas e investimentos em novas fábricas têm atuado como compensadores para a economia. O mercado imobiliário, que representa cerca de um quarto da economia chinesa, segue encolhendo, com quedas de até 40% nos preços dos imóveis em diversas cidades desde o pico de 2021, prejudicando incorporadoras e construtoras.
O consumo enfrenta desafios diante da erosão das economias das famílias, afetadas pela crise imobiliária dos últimos quatro anos. Para estimular o setor, o governo central adotou subsídios para a compra de bens como smartphones, carros elétricos e eletrodomésticos fabricados localmente, embora alguns governos regionais estejam reduzindo seus investimentos nesses programas.
As vendas no varejo registraram crescimento modesto de 3% em setembro na comparação anual, o menor índice desde novembro do ano passado. Ainda assim, o investimento em novas fábricas ajudou a mitigar esses efeitos negativos, apesar das preocupações governamentais sobre capacidade excessiva de produção e competição acirrada no setor manufatureiro.
O superávit comercial da China aumentou 12,4% nos últimos três meses em relação ao mesmo período do ano anterior, com estimativas indicando que o excedente poderá superar US$ 1 trilhão em 2025, um novo recorde. Enquanto as exportações destinadas aos Estados Unidos caíram devido às tarifas aplicadas, as exportações para países em desenvolvimento cresceram significativamente, incluindo a construção de fábricas e infraestrutura em mercados emergentes.
Embora o Departamento Nacional de Estatísticas tenha revisado para baixo o crescimento do trimestre anterior, de 1,1% para 1%, a agência manteve uma visão otimista sobre a situação econômica, destacando resiliência e vitalidade no terceiro trimestre. A economia também apresentou expansão de 4,8% em relação ao mesmo período de 2024. Alguns analistas, porém, questionam a precisão desses números.
A divulgação dos dados coincidiu com o início da reunião anual do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, responsável por revisar o Plano Quinquenal para 2026-2030. Espera-se que novas medidas para estimular a economia, especialmente o consumo das famílias, sejam avaliadas e possivelmente implementadas nos próximos meses. Entre as propostas estão o aumento das pensões rurais, atualmente muito baixas, para fomentar o gasto dos consumidores.
Economistas também indicam que a ênfase em grandes projetos de infraestrutura coordenados pelo governo central, especialmente no interior e oeste do país, deve continuar, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas por governos locais, que perderam receitas provenientes da venda de terrenos devido à crise imobiliária.
A China segue, portanto, em um momento de ajustes econômicos, com desafios no consumo e no mercado imobiliário, mas sustentada por uma sólida base exportadora e investimentos estratégicos que buscam garantir uma retomada mais equilibrada e sustentável.



