Copom provavelmente manterá Selic em 15% e continuará focado em consolidar a queda da inflação

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Copom Deve Manter Selic em 15% Até Consolidação da Queda da Inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic em 15% na decisão marcada para esta quarta-feira (17), seguindo a estratégia de uma política monetária contracionista por um período prolongado. A expectativa é que o corte dos juros ocorra somente em 2026, com o mercado dividido entre janeiro e março para o início da flexibilização.

A decisão do Copom será fundamentada nos dados atuais da inflação, que apontam melhora recente, mas indicam resistência nos preços dos serviços, além do mercado de trabalho que registra níveis recordes de emprego e renda, exercendo pressão sobre os preços via demanda. No cenário externo, a perspectiva quase certa de corte de juros nos EUA pode favorecer o câmbio no Brasil, reduzindo a pressão inflacionária.

XP projeta Selic em 12% ao final de 2026

A XP destaca que o comunicado do Copom deve reforçar a necessidade de perseverança para que a inflação convirja à meta. A instituição projeta o início dos cortes de juros em janeiro de 2026, com reduções sucessivas de meio ponto percentual, deixando a Selic em 12% ao final do próximo ano.

Inflação registra deflação em agosto, mas segue desancorada

A inflação apresentou deflação de 0,11% em agosto, resultado menos intenso que o esperado e influenciado por fatores temporários em alguns setores. Contudo, não há sinais consistentes de melhora estrutural. A valorização do real, que acumula ganho de 15% frente ao dólar no ano, já foi parcialmente repassada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Apesar da atividade econômica mostrar sinais de desaceleração, com queda na demanda doméstica no segundo trimestre, a taxa de desemprego e a renda permanecem em níveis elevados. As expectativas de inflação continuam desancoradas, ainda que tenham apresentado ligeiro recuo, com a projeção para o IPCA em 2024 reduzida de 4,85% para 4,83%, distante da meta de 3%.

Riscos na trajetória da inflação

Economistas alertam que o processo de desinflação tem sido sustentado por fatores externos, em especial a valorização cambial, que não refletem plenamente o impacto da política monetária na economia real. Segundo especialistas, os efeitos do câmbio atenuam a percepção de necessidade imediata de cortes de juros, pois a pressão persiste especialmente nos serviços, segmento mais sensível à variação da Selic.

A vigência prolongada da taxa elevada atua também como mecanismo de contenção para o governo, dificultando a adoção de políticas fiscais expansionistas por meio do custo elevado do crédito.

Selic deve ter início de cortes gradual e cauteloso em 2026

Previsões indicam que o Banco Central deve manter postura conservadora até pelo menos o primeiro trimestre de 2026, adotando um “piloto automático” no segundo semestre de 2025, com cortes graduais e intervalados para monitorar riscos inflacionários vinculados a estímulos fiscais e consumo.

O mercado atento ao comunicado do Copom

O tom do comunicado da decisão será observado criteriosamente pelo mercado, que buscará sinais sobre a avaliação do Copom acerca do cenário inflacionário e possíveis ajustes na estratégia de política monetária. Analistas apontam que o Banco Central evitará sinalizar antecipadamente cortes de juros, tentando evitar que o mercado incorra em expectativas prematuras.

Além do texto, as projeções oficiais do comitê para inflação e câmbio são consideradas canais importantes de comunicação sobre o posicionamento da autoridade monetária. Pequenas alterações nas expectativas para inflação futura podem impactar a percepção do mercado sobre a viabilidade de cortes antecipados.

Projeções indicam leve redução da inflação para 4,8% ao fim de 2025 e estabilização em torno de 3,3% no primeiro trimestre de 2027, conforme análises da XP.

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