Bolívia pode redefinir relações com Brasil e EUA após segundo turno eleitoral
A eleição presidencial na Bolívia, marcada pelo segundo turno neste domingo, pode alterar significativamente a política externa do país após duas décadas sob governos socialistas. Os candidatos Rodrigo Paz e Jorge Tuto Quiroga destacam-se com propostas pró-mercado e diferentes visões para as relações bilaterais com Brasil e Estados Unidos.
Reconfiguração das relações com o Brasil
Rodrigo Paz, apesar de discordar do atual governo brasileiro, reconhece o Brasil como “principal parceiro estratégico” da Bolívia. Em sua campanha, defende o fortalecimento da participação boliviana no Mercosul e no Brics, além de propor maior cooperação econômica e projetos conjuntos de infraestrutura entre as duas nações.
Por outro lado, Jorge Tuto Quiroga adota uma postura mais dura, criticando a integração da Bolívia no Mercosul e defendendo relações bilaterais independentes, sem vínculos institucionais que comprometam a soberania do país. Ele sugere uma “cooperação tradicional” e seletiva com o Brasil, sem vínculos que limitem a autonomia boliviana.
Perspectivas para o relacionamento com os EUA
No campo das relações com os Estados Unidos, os governos socialistas anteriores mantiveram contatos esfriados, alinhando-se mais a países como China, Irã e Rússia. Ambos os candidatos apostam agora em novas aproximações. Rodrigo Paz defende uma “aproximação pragmática”, afastada de alinhamentos ideológicos, afirmando que “ideologias não colocam comida na mesa”.
Já Quiroga se apresenta como um “liberal pró-EUA” e promete “descongelar” as relações. Ele demonstra admiração pelo governo Trump e pretende fortalecer uma relação prática, buscando apoio econômico e político para enfrentar a atual crise boliviana, elogiando inclusive mediações americanas em conflitos internacionais como Gaza e Ucrânia.
Implicações para o mercado e a política regional
A eleição e as propostas dos candidatos indicam uma potencial guinada da Bolívia para políticas econômicas mais liberais e maior integração regional e internacional pragmática. Para investidores, isso pode significar um ambiente mais favorável à cooperação econômica bilateral e aos projetos de infraestrutura conjuntos, especialmente com Brasil e Estados Unidos. No âmbito geopolítico, a Bolívia poderá contribuir para a consolidação de uma nova direita na América Latina, influenciando dinâmicas regionais e alinhamentos internacionais.



