Uber é investigada nos EUA por relatos de agressão sexual em suas corridas
Subcomissão da Câmara dos EUA apura discrepâncias em dados de segurança da Uber, após revelação de mais de 400 mil incidentes entre 2017 e 2022.
Uma subcomissão da Câmara dos Estados Unidos decidiu abrir investigação sobre o manejo dos relatos de agressão sexual e má conduta na plataforma da Uber. A decisão ocorre semanas após reportagem que revelou mais de 400 mil incidentes registrados em viagens entre 2017 e 2022, o que equivale a quase um caso a cada oito minutos.
Discrepâncias nos dados e pressão política
Enquanto a Uber divulgava anteriormente cerca de 12,5 mil episódios classificados como graves, os documentos judiciais indicam um número total muito maior de denúncias, gerando questionamentos sobre a transparência e a precisão dos dados apresentados ao público. A deputada republicana Nancy Mace, presidente do subcomitê de segurança cibernética e tecnologia, cobrou explicações do CEO Dara Khosrowshahi, ressaltando que os números refletem um risco persistente à segurança dos usuários e a necessidade de melhora nas ferramentas de proteção.
Resposta da Uber e iniciativas de segurança
Em nota, a Uber afirmou estar disposta a colaborar com o Congresso e destacou que 99,9% das viagens nos EUA ocorrem sem incidentes. A empresa também classificou algumas queixas como menos graves, envolvendo comentários ou linguagem inadequada, e mencionou que alguns relatos podem ser incorretos ou fraudulentos. Relatórios indicam que a companhia testou recursos como gravação obrigatória de vídeo, algoritmos para análise de perfis e programas que permitem conectar passageiras a motoristas mulheres, mas muitos desses projetos não foram aplicados em larga escala.
Crescimento de processos judiciais
Atualmente, a Uber enfrenta mais de 3 mil processos jurídicos nos EUA de passageiros que alegam terem sido vítimas de motoristas. Sua concorrente Lyft também responde a centenas de ações similares. A discussão central envolve a responsabilidade legal das plataformas pela conduta dos motoristas. Recentemente, um tribunal da Califórnia ouviu as alegações finais do primeiro processo coletivo estadual contra a Uber, em que documentos atualizados revelaram mais de 558 mil relatos de agressão sexual ou má conduta entre 2017 e 2024, com aumento do número de casos em 2024 em relação ao ano anterior.
Implicações para investidores e mercado
A investigação e os processos judiciais crescentes fortalecem os riscos regulatórios e jurídicos enfrentados pela Uber nos EUA. A pressão política e a exposição dos problemas de segurança podem afetar a reputação da empresa e gerar impactos financeiros, refletindo-se potencialmente em sua cotação na bolsa. Investidores devem acompanhar de perto os desdobramentos dessas questões, especialmente diante do ambiente regulatório mais rigoroso para plataformas digitais no setor de mobilidade urbana.



