Quase 4 mil participantes entoaram a canção “Maria, Maria” em uníssono, celebrando a força e a resiliência feminina, durante o encerramento da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM) em Brasília. O evento, que durou três dias, teve como tema central “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, abordando desde o combate às desigualdades sociais, econômicas e raciais até o fortalecimento da presença feminina em espaços de poder e decisão.
Um conceito chave que permeou os corredores da conferência foi o de “mulheridades”, buscando enfatizar a pluralidade de identidades e experiências das mulheres brasileiras. Representantes de diversos grupos, incluindo mulheres negras, com deficiência, LBTs, indígenas, quilombolas, jovens, idosas, mães atípicas, e mulheres do campo, das cidades e das águas, se uniram para lutar por direitos e dar visibilidade às suas causas.
Participantes de todo o país compartilharam suas perspectivas e demandas. Uma moradora de Jundiaí (SP) destacou a importância do feminismo interseccional e o respeito à diversidade. Uma enfermeira do Maranhão clamou pelo fim da violência de gênero e pela valorização da profissão de cuidadora. Uma produtora cultural de São José do Rio Preto (SP) denunciou o capacitismo e a infantilização enfrentados por pessoas com deficiência. Uma indígena da Bahia repudiou a violência contra mulheres indígenas, recusando-se a aceitá-la como parte da cultura. Uma professora de Aracaju defendeu a igualdade racial e o fim da disparidade salarial entre mulheres negras e homens brancos. Uma estudante de direito abordou a transfobia e a necessidade de políticas públicas inclusivas. Uma sacerdotisa de umbanda de Cuiabá exigiu respeito às mães de axé, frequentemente invisibilizadas. Uma secretária municipal do Maranhão relatou a falta de recursos para proteger mulheres vítimas de violência.
As propostas aprovadas durante a conferência visam fortalecer e aprimorar o Plano Nacional de Políticas Públicas para Mulheres, servindo de base para o governo federal na formulação de políticas voltadas para as mais de 100 milhões de brasileiras. A ministra das Mulheres enfatizou que a conferência representa um ponto de partida para a continuidade da mobilização em defesa dos direitos e políticas públicas para as mulheres.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



