Mineração de criptomoedas no Brasil amplia parcerias para usar energia renovável excedente
Empresas de mineração de criptomoedas no Brasil estão negociando contratos com geradoras de energia para aproveitar o excedente das fontes renováveis, sem sobrecarregar a rede elétrica nos horários de pico. Entre as geradoras estão nomes como Renova Energia, que desenvolve um projeto de US$ 200 milhões na Bahia, com capacidade de cerca de 100 megawatts, utilizando energia eólica.
Após o anúncio de investimento da Tether, uma das maiores empresas de ativos digitais do mundo, em um projeto que utilizará energia proveniente de operações de cana-de-açúcar no país, pelo menos seis negociações de médio e pequeno porte estão em andamento, além de um projeto maior, estimado em até 400 megawatts, conforme fontes do setor.
No Brasil, a mineração de criptomoedas ainda está em estágio inicial, mas pode ajudar a resolver um desafio enfrentado pelo setor elétrico: o excesso de energia renovável, especialmente solar e eólica, que muitas vezes não pode ser escoado por limitações da infraestrutura de transmissão, acarretando prejuízos bilionários às geradoras.
O CEO da Renova Energia, Sergio Brasil, destaca que a iniciativa visa expandir a companhia para novos mercados, oferecendo infraestrutura específica para mineração de criptoativos. A flexibilidade da atividade permite ajustar o consumo conforme a disponibilidade de energia, minimizando impactos em horários de pico.
Empresas estrangeiras como a Enegix, do Cazaquistão, e a Penguin, do Paraguai, também exploram oportunidades no Nordeste brasileiro, região com maior excedente energético. A fabricante chinesa Bitmain está entre as que avaliam o mercado nacional.
Geradoras como Casa dos Ventos, Atlas Renewable Energy, Engie e Auren Energia manifestam interesse em projetos para monetização da energia não utilizada. A Eletrobras realiza um projeto-piloto na Bahia, com mineração integrada a uma microrrede com turbina eólica, painéis solares e baterias, buscando compreender melhor o funcionamento do setor.
Apesar do potencial, desafios permanecem, como o uso de água para resfriamento das máquinas e a falta de regulamentação específica para a mineração de criptomoedas no país. Além disso, a infraestrutura ainda precisa se adaptar para suportar o crescimento desse segmento.
Bruno Vaccotti, executivo da Penguin, destaca que a exploração do mercado brasileiro tem sido complexa, mas o interesse para desenvolver operações segue firme. O avanço desse setor pode ser um componente importante na estratégia nacional de economia baseada em energia renovável.



