Aumento nos preços dos fertilizantes aperta margens e pode retardar a recuperação

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Alta nos preços dos fertilizantes pressiona margens dos produtores na safra 2025/26

O aumento nos preços dos fertilizantes, principal componente do custo agrícola, deve reduzir as margens de lucro dos produtores brasileiros na safra 2025/26, que já está sendo plantada em algumas regiões do país.

Segundo estimativa do Rabobank divulgada recentemente, o custo com adubação deve subir cerca de 10% em relação à safra 2024/25. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que, em Mato Grosso, maior produtor de soja do país, os gastos com fertilizantes aumentaram em média 9,8%, confirmando a tendência observada.

Esse cenário decorre de uma elevação nos preços internacionais, influenciada por restrições na oferta de alguns nutrientes, especialmente os fosfatados. A China, que tradicionalmente lidera a exportação desse tipo de fertilizante, tem reduzido seus embarques devido ao aumento na demanda de ácido fosfórico para a fabricação de baterias.

Outro fator que contribui para a alta é a desvalorização do real frente ao dólar. Na safra passada, apesar do real estar mais fraco no momento da colheita, o câmbio favoreceu os custos de insumos importados, já que muitos foram adquiridos quando a moeda estava mais valorizada. Atualmente, o câmbio pesa negativamente nos custos, uma vez que o Brasil depende de importações para cerca de 80% dos fertilizantes consumidos.

O analista do Rabobank Bruno Fonseca ressalta que, mantendo-se os preços atuais, as margens operacionais devem sofrer queda na próxima safra. Para a soja, a projeção é uma redução da margem operacional de 38% para 24%, enquanto para o milho a expectativa é de queda de 26% para 21%. Esses cálculos consideram apenas o custeio da safra, sem incluir despesas com arrendamento.

Produtores que financiam integralmente seus custos de produção já enfrentavam margens negativas na safra passada, aponta a Serasa Experian. Assim, segundo o Rabobank, a recuperação financeira dos agricultores brasileiros depende de um horizonte mais longo, com possibilidade de equilíbrio apenas a partir de meados de 2027.

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