Israel retarda ajuda humanitária em Gaza enquanto Hamas retoma controle e execuções aumentam
Israel adiou a entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e manteve fechada a fronteira do enclave na última terça-feira, em meio ao avanço do grupo militante Hamas que voltou a ocupar as ruas, inclusive com execuções públicas de homens acusados de colaborar. O impasse prejudica o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar a guerra na região.
Impacto no conflito e ajuda humanitária
Autoridades israelenses informaram que a restrição na ajuda e o fechamento da fronteira com o Egito foram decididos porque o Hamas atrasou a entrega dos corpos dos reféns mortos — até o momento, apenas quatro caixões foram entregues, contra pelo menos 23 reféns presumivelmente mortos e um desaparecido. Com cerca de 2,2 milhões de habitantes, a população de Gaza enfrenta escassez alimentar, reforçada pela paralisação nas entregas prometidas de suprimentos.
Enquanto as tropas israelenses se retiraram parcialmente das áreas urbanas após o cessar-fogo, o Hamas rapidamente reassumiu o controle das ruas. Um vídeo circulado mostra execuções públicas de sete homens na Cidade de Gaza, confirmadas como autênticas por uma fonte do grupo.
Repercussões políticas e perspectivas futuras
O presidente Trump qualificou a situação como um “amanhecer histórico de um novo Oriente Médio” e deu sinal verde temporário para o Hamas manter ordem em Gaza, contrariando a posição do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que insiste que o conflito só terminará com o desarmamento do grupo. O Hamas, por sua vez, reforça sua presença com patrulhas e operações contra colaboradores, saqueadores e traficantes, e retoma a limpeza e reparos nas infraestruturas danificadas.
A cúpula realizada no Egito, co-organizada por Trump, não trouxe avanços substanciais para a criação de uma força militar internacional ou um novo governo em Gaza, e os restos de dezenas de reféns ainda permanecem no enclave.
O ambiente volátil e as diferenças fundamentais sobre o desarmamento do Hamas indicam que o acordo de cessar-fogo vigente enfrenta obstáculos significativos para evoluir a uma paz duradoura, com riscos contínuos à estabilidade regional e, por consequência, impactos indiretos nos mercados globais sensíveis a tensões geopolíticas.



