Trump anuncia taxa de US$ 100 mil para vistos H-1B e intensifica repressão à imigração de trabalhadores qualificados
O presidente dos EUA, Donald Trump, instituiu uma taxa de US$ 100 mil para novas solicitações do visto H-1B, utilizado por empresas para contratar trabalhadores estrangeiros especializados, como engenheiros de software. A medida visa desestimular a contratação de estrangeiros em detrimento de trabalhadores norte-americanos.
Medida e impacto no mercado
A nova taxa, anunciada na sexta-feira, será cobrada das empresas à contratação e é classificada pela administração Trump como uma forma de conter o “abuso” do programa H-1B. Segundo Howard Lutnick, secretário de comércio, a cobrança torna economicamente inviável para grandes empresas de tecnologia treinar trabalhadores estrangeiros, incentivando a priorização de recém-formados americanos. A taxa está prevista para entrar em vigor no domingo, mas poderá enfrentar desafios judiciais.
O mercado de tecnologia pode ser o mais afetado, já que companhias como Amazon, Google, Meta, Microsoft, Apple e IBM empregam grande número de profissionais com visto H-1B, principalmente da Índia. Ainda há indefinições sobre se a taxa será cobrada uma única vez ou anualmente, gerando incertezas para empregadores e investidores.
Funcionamento e contexto do programa H-1B
Criado em 1990, o visto H-1B permite que empresas americanas contratem temporariamente trabalhadores estrangeiros com habilidades especializadas, especialmente em ciência e tecnologia. São disponibilizados 65 mil vistos por ano para quem possui diploma de bacharel e 20 mil para portadores de mestrado ou grau superior, com isenção para universidades e instituições de pesquisa. O programa não confere residência permanente, mas muitos acabam sendo patrocinados para o green card.
Críticas e desdobramentos futuros
O programa é alvo de críticas por parte de republicanos que acusam empregadores de usar trabalhadores estrangeiros para reduzir custos salariais, substituindo profissionais americanos. Apesar disso, líderes do setor de tecnologia defendem a necessidade do visto devido à escassez de mão de obra qualificada nos EUA. Dados indicam que cerca de 730 mil pessoas possuem visto H-1B atualmente, uma fração do mercado de trabalho americano.
Casos de substituição de trabalhadores americanos por portadores do visto já foram documentados, e análises apontam que até 60% das vagas com H-1B pagam salários abaixo da mediana local. A introdução da nova taxa pode alterar a dinâmica do mercado de trabalho em setores estratégicos e gerar impactos econômicos e humanitários, especialmente para famílias que dependem do programa para viver nos EUA.



